contradizendo a própria letra da música, resolvi (não diga!!!) falar um pouco sobre essa música. saio um pouco da ordem que tinha me colocado (já estava atrasado mesmo...).
essa foi a última música composta para o disco. talvez realmente ela seja mais simples. mas, por outro lado, é - ao meu ver - a (ou uma das) que mais sintetiza o que é o disco:
c_mpl_te
ao mesmo tempo que joga com uma série de laços, dialogos e texturas, talvez tenha pedido uma parte extra. os comentários no orkut, por exemplo, sugerem isso: falta alguma coisa. claro que falta!! falta tocar ao vivo! pular com o público!! falta o contato!
enfim, fiz uma pequena análise do arranjo da música (podem falar que a música é simples, mas o arranjo, se for, é tão quanto as demais músicas do móveis). espero que faça sentido.
afinal, a letra não faz pra mim.. hehe!
podemos falar de gosto, tranquilo. mas se formos analisar o arranjo, é um dos mais interlaçados, balanceados e com diálogo entre os instrumentos:
bateria puxa, sopros entram com a introdução, cozinha segura com convenção mas já completando um ao outro.
no verso, rola uma mudança de papéis, criando uma base na levada entre guitarra dedilhada, piano base (que é raro no móveis), baixo pausado (mais raro ainda!) e sax tenor. uma cama de sons e texturas para a voz.
depois, mudança de ritmo: baixo e bateria dobram num ska-disco enquanto o sopros trabalham com notas longas fazendo coro com o vocal. ao final dessa parte, um contraponto entre os sopros e eles assumem o lugar do vocal como se respondessem, completassem, dessem continuidade à melodia da voz.
no refrão, um conjunto de vozes e linhas tendo como base uma harmonia com baixos invertidos (a linha do bx é uma homenagem ao paul!). guitarra e teclado seguem com um misto de rock e um riff meio rockabilly ao final da linha da voz. o baixo acompanha pela metade (ritmicamente) com contrapontos.
enquanto tudo isso, entre todas as partes e suas mudanças, a bateria conduz as viradas, antecipando os climas.
a música volta com um tema que remete à introdução, conduzida pelos sopros.
volta o segundo verso. mesma ideia até o refrão.
ao final uma quebra (modelo beatles total!!)
uma harmonia bem conduzida por várias vozes em contraponto (usando bastante inversões), enquanto o barítono puxa uma linha/solo (lisa simpsons total!!).
no lugar da harmonia calma e clima quase renascentista (com o uso bem cuidadoso da palavra), cria-se uma tensão a partir dos mestais (trombone, mais precisamente) - o naipe segue com uma cama e ele em outra). retoma-se o refrão, a linha de sopro muda, os baixos dos acordes também, abre-se a harmonia e o clima "sol"volta ao cenário.
cozinha muda a levada, mas marcada (mais beatles?), segue a harmonia com seus baixos descendentes, rif de guitarra, teclado e baixo (ele que fazia diferente se junta ao grupo) mudando levemente a harmonia do refrão, preparando para o final.
será preciso complicar para dizer?
Uau!
é como disseram no próprio tópico da comu:
"- muito mimimi..."
e sim, os arranjos são óótimos!
beeeijos.
Eu adoro essa....
ainda não sei cantar, mas adoro, junto com "cheia de manha".
Na verdade tão de parabéns pq estão todas muito boas....
Eu concordo que das musicas mais recentes (isto é, tirando lista de casamento, sem palavras e cheia de manha) essa é uma das melhores que vocês produziram (em termos musicas, sonoros). Entretanto essa e as outras 'novas'(pra mim) ficaram muito diferentes do que caracteriza móveis. As letras perderam o sarcasmo e a crítica e, por mais que eu nao entenda nada de música, a parte sonora, que pode até ter arranjos interessantes e complexos (tanto quanto ou mais que antes), deixou de ter aquela energia que a gente sentia quando ia nos shows. Antes só de ouvir uma musica em casa eu já pulava e quando ia no show pirava. Hoje ouvi essas musicas do novo cd e nem senti vontade de ir a algum show (que é a principal fonte de renda de vocês já que disponibilizam as músicas pra baixar no site - o que acho ótimo!).
Antes, apesar das letras serem ótimas, os shows eram a principal atração devido à sensação que provocavam nos espectadores. O que não entendo é que, se desse modo estava fazendo muito sucesso com o estilo inicial (que, ouso dizer, é único) por que mudar? (Ainda mais tanto quanto mudou!)
Assim o novo estilo que vocês estão adotando muito provavelmente vai fazer com que percam o antigo público, por não atenderem suas (nossas) expectativas!

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