Porão - Pequeno gigante
Fonte: Correio Braziliense | Autor: Tiago Faria | Data: 16/07/2005
Para quem sente saudades do tempo em que o Porão do Rock ainda era um festival com entrada franca e sem grandes pretensões de se transformar em um dos maiores espetáculos brasileiros do gênero, a 8ª edição do evento deixou uma lição bem clara: aquela época está no passado, e ficará por lá. A cada ano, não apenas o preço do ingresso aumenta, mas a ambição segue em uma escala mais ou menos parecida. Com três dias de shows, o Porão 2005 conseguiu trazer à cidade um cenário até bem preciso do (combalido, raquítico mesmo) pop rock nacional. Para quem reclama das bandas grandes selecionadas, basta esticar as orelhas até a programação das rádios FM para perceber que o Porão mal tem culpa da falta de opções musicais no gênero. Mas a opção de abrir um dia especialmente para grupos menos pesados e mais acessíveis (com Barão Vermelho, Pato Fu e Los Hermanos) mostra uma tentativa de expandir as proporções do festival. O público respondeu à altura, mas vale a lembrança de a maior importância do Porão para o cenário do rock independente brasileiro é revelar bandas que lançam discos à margem de grandes gravadoras e dar a elas espaço, apoio e visibilidade. Essa missão ainda é cumprida (e foi bonito ver, por exemplo, Móveis Coloniais de Acaju (foto) tão perto de Barão Vermelho), mas periga acabar ofuscada pela presença de celebridades do pop. Momentos de descontração são raros e bem-vindos, como a jam session em homenagem ao produtor Tom Capone mas fica a impressão de que será preciso cuidado para que, nas próximas edições, o Porão não desvie daquele que era o princípio fundamental da história toda.