Porão do Rock 2005  Terceiro dia

Fonte: Cybergoias.com | Autor: Marcus Lacerda | Data: 27/07/2005
Radical sem Dó (DF)

Radical sem Dó abriu o último dia de festival com seu rap old school que lembra muito aquelas comédias americanas negras (ops, afro-americanas!) do começo da década de 90 (quando Vanilla Ice tentou fazer o que Eminem fez 10 anos depois).

Com levadas básicas, o grupo  solta o verbo com letras escraxadas sem maiores pudores. Tirando a falta de non-sense é como se Réu e Condenado tivesse nascido no Bronx e não em Anápolis. O instrumental possui muitas referências e é muito bem levado.

Um show que esbanja descontração, humor e carisma mesmo que soe banal eventualmente. Salve, salve simpatia...

Violins (GO)

Violins? Aquela banda chorosa e melancólica tocando no Porão do Rock? Aquele festival cheio de rockeiro dorme sujo xiita? Depois de uma banda completamente contrastante? Vixe...

Superando todas as adversidades, a banda goiana até que se saiu muito bem. O set escolhido pelo Violins para o festival primou por uma dinâmica de apresentação muito bem dirigida. As primeiras músicas tinham uma sonoridade mais pesada e ágil. Isto aproximou o público que havia recebido a banda com certa indiferença. Em dado instante, vieram as canções  deixa-eu-ficar-aqui-no-meu-cantinho-choramingando tão características da banda. Normal, é um show do Violins e eles têm um público. Ao final, a banda voltou a uma dinâmica menos inerte e mais densa.  Hans fechou muito bem a apresentação.

A banda provou neste show saber conduzir o público muito bem. A presença deixou muito a desejar, mas eles compensaram isto com o set list. Tiraram leite de pedra!

Reação em Cadeia (RS)

Com um som bem pasteurizado e integrantes que parecem passar tanto tempo no estúdio quanto na academia, Reação em Cadeia foi a terceira apresentação da noite. A banda parece basicamente uma boy band que toca rock.

Com músicas bem trabalhadas e com pitadas de soul e rock pesado, o Reação em Cadeia fez um show bastante empolgante. Eles fazem muito bem o que se propõem a tocar e dentro disso vêm conquistado um espaço considerável no Sul do país (a banda vendeu 100.000 cópias pelo selo Antídoto).

Esperem por uma participação na trilha sonora de Malhação.

Pato Fu (MG)

Pato Fu é uma daquelas bandas mainstream que obrigam muitos xiitas a dar o braço a torcer.

Com muita desenvoltura e presença, a banda levantou o público do festival em uma apresentação muito bem levada. Fernanda Takai brincou em vários momentos com o público e mostrou um nível de empatia muito grande no decorrer do show. O snake pit não parecia existir entre a banda e o grande público do festival.

Pato Fu mostrou neste show a fórmula de tantos anos estando em alta no pop-rock nacional. Trata-se de um medalhão e um suspiro de criatividade e autenticidade no estilo. E a melhor parte disso é que eles tocam na rádio.

Som da Rua (RJ)

Imagine que o Los Hermanos ao invés de torcer o nariz para  Anna Júlia viram ali uma fórmula para o sucesso. Pois é, o Som da Rua é mais ou menos assim.

Com músicas que parecem ter sido feitas por algum algoritmo, a banda possui um pop-rock que cheira a chupação. Pedro Luiz e a Parede e os próprios Los Hermanos são nomes que facilmente vêm à cabeça durante o show da banda.

Já que eles têm a fórmula acho que poderiam subverter um pouco, não? Não é assim que as coisas funcionam?

Los Hermanos (RJ)

O Los Hermanos eram esperados ansiosamente pelo público. Quando entraram no palco a recepção foi a mais calorosa possível.

Há quem possa dizer que eles subiram e tocaram no mais frio profissionalismo, mas o que aconteceu foi um show de se encher os olhos. As músicas são tocadas de maneira quase mágica. Trata-se de uma apresentação tocante até para os mais rígidos e inflexíveis.

Apesar da aparente timidez e estaticidade, Los Hermanos é uma banda que consegue preencher muito bem o espaço que lhes é dado. Eles não pulam, não dão cambalhotas, se limitam a agradecer ao público e não fazem piadinhas. Mas a música que eles tocam fala por qualquer outra coisa.

Cascadura (BA)

Pegando a rebarba do Los Hermanos, Cascadura entrou com seu rock n roll bastante básico. O som remete aos anos 70 e é possível se ter muitas referências no decorrer do show.

Foi um show ameno, por assim dizer. Tocando após um dos headliners mais esperados (se não o mais) Cascadura não teve espaço para poder mostrar muita coisa. O público presenciou o show de maneira bastante burocrática e se limitou a assistir.

Cascadura é uma banda legal. Legal como o porteiro do prédio, o colega de faculdade ou a garçonete do café. Não é muito possível se ter uma proximidade maior da banda. Fazem um som legal tocando bem. Mas não é a última coca-cola do deserto...

Dillo D Araújo & Crocodillogang (DF)

Dillo D Araújo teve a sorte que Cascadura não teve: uma banda para preparar o público para uma mudança de atmosfera tão brusca.

Com um som calcado em um rock n roll mais clássico, a banda pode mostrar em palco um show que prima pela técnica em canções muito bem arranjadas e executadas.

Era mais um concerto que um show propriamente dito. Um prato cheio para acadêmicos do rock, estudiosos da guitarra e pessoas com mais de 40 anos.

Barão Vermelho (RJ)

Barão Vermelho fez um show que poderia muito bem ter fechado o festival com chave de ouro.

Com músicas do último disco e clássicos da carreira da banda, eles fizeram um show sob medida. Impecável em todos os aspectos. Presença, execução, empatia e, principalmente, música. Estava tudo lá. Frejat e companhia fizeram uma apresentação soberba.

Barão Vermelho possui um valor muito grande: se não existe um  Beatles no tão ovacionado rock brasileiro dos anos 80, eles garantiram um Rolling Stones.

Móveis Coloniais de Acaju (DF)

Móveis talvez seja a banda mais evidente da cena brasiliense. Aparecendo no festival para encerrar a participação das banda locais, a banda honrou todo o prestígio que possui.

O frio e o cansaço dos três dias de festival pareceram piada na apresentação do MCA. Com seu som criativo, fluído e fácil de ouvir (e se mexer) a banda botou fogo nas cinzas com um set list muito bem elaborado. Mesmo em  Do mesmo ar , balada mais lenta, o show manteve uma dinâmica soberba.

Com um integrante a mais, o Móveis fechou este semestre com chave de ouro. Esta deve ser a minha quinta resenha da banda nos últimos seis meses (salvo engano). Já não está na hora deles saírem da ponto rodoviária GYN-BSB? E se eles não puderem sair, quem pode?


Supla (SP)

Cumprindo tabela praticamente, Supla subiu ao palco. Por mais fake que seja, é uma apresentação que vale a pena pela empolgação do  Papito .

As músicas de Supla são feitas da seguinte maneira:

1) Pegue uma música de uma banda punk não muito lado A nem muito lado B.

2) Com a música em mãos, surrupie a melodia.

3) Coloque uma letra em português

4) Não se preocupe com infâmia!

A apresentação de Supla ainda contou com a participação de um genérico seu brasiliense. O  Papito mostrou que não basta ser fake, tem que se ser fake da maneira mais poser possível. Aí as coisas andam!








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