Para ler ouvindo Replay
O atacante chuta. Segundos antes do arremate final, uma bela defesa do goleiro iniciou uma complexa cadeia de eventos. Em paralelo, outra lista de acontecimentos produziram a bola, o uniforme, a chuteira, o gramado, a rede do gol e o próprio jogador. Até que finalmente estas e várias outras séries de fatos anteriores se unissem no êxtase do grande momento do futebol. Na súmula, o árbitro anota a autoria sem hesitação. Mas é importante ter em mente que muitas das condições para a mudança no placar extrapolam qualquer controle do artilheiro.
A versão de Replay lançada na última semana traz aos ouvidos o tempero inconfundível dos Móveis Coloniais de Acaju. Assim como a bem humorada justaposição búlgara de imagens que formaram o videoclipe. Sem dúvida, a banda brasiliense é a responsável pelo resultado audiovisual do Adoro Couve de junho. Mas aqui - assim como no futebol - é importante ter em mente que há uma quantidade incontável de pessoas que contribuíram na defesa e no meio de campo. E até fora de campo.
Chato é que o jogo é mais duro para o lado da música. O atacante não precisa pedir autorização para escolher onde mirar, como usa o pé, se vai driblar até a família do joão, bater forte ou dar por cobertura. Basta pôr o talento em prática e correr pro abraço. Já pela lei de direito autoral vigente, a mobília precisaria de todo um rosário de autorizações expressas para poder usar obras anteriores. Caso contrário, sem a permissão de quem é titular do direito autoral, configura-se um crime, previsto no art. 184 do Código Penal.
E o cartão vermelho sai do bolso quando pensamos em um prática cultural antiga, que foi acelerada pela cultura digital: o remix. Leonardo FAROFF Busztyn, guitarrista original dos Móveis, hoje produz e toca os chamados Mashups, em que duas ou mais músicas são misturadas em uma só. Mas ao usar seu talento para misturar 90 milhões de sons em ação sem avisar ninguém, FAROFF comete crimes.
Mas, mesmo que tivéssemos um homem a menos (o que não é o caso, já que a banda segui contando com o entrépido BC), o jogo não está perdido, porque do lado de lá a plaquinha do auxiliar subiu com o nº 9610/98, a famigerada Lei de Direito Autoral (ou LDA).
Sim, o Ministério da Cultura anunciou na segunda-feira 14 de junho de 2010 um debate aberto para renovar a lei que regulamenta o direito autoral no Brasil. E a substituição da atual LDA pode trazer um inédito fair play para o jogo e permitir mais um gol histórico do talento brasileiro, meu povo. Mais do que a alegria da cidade, podemos estar dando o pontapé inicial para a construção de um ambiente legal global de liberdade cultural.
E os cupins na torcida, é claro!
A Mobilia deve muito bem saber o que está fazendo estamos falando, de uma banda de pessoas intelectuais e mesmo que não soubecesse e problema deles,faz parte.
Ah! se todos os criminosos cometessem arte!
E que acontece isso logo
Logo vcs que são uma banda que souberam aproveitar tão bem a nova (falta de) ética do mercado musical, praticamente levando a bandeira desta nova era na frente de todos no Brasil vão entrar na discussão da utilização das referências? Ou ok, utilização de outras obras pra se compor nova obra?
Sinceramente não entendo..
E o que dizer das claras referências que vcs usam? Tipo Garbage pra citar uma? Vcs pagaram os direitos? Ou dão o crédito a eles cada vez que tocam a música? Acho que não.
O trabalho da composição bebe de muitas fontes, não há como pagar/creditar todas, está ai a graça dos novos tempos. Essa discussão sobre direito autoral já nasceu datada, vcs estão acima disso. Aproveitando o mercado criativo da melhor forma, fazendo shows, divulgando seu conteúdo na net gratuitamente, agora só falta partir pro crowdsourcing meus queridos. Aceitem o futuro.
Continuem com o belo trabalho de vcs.
E deixem os outros em paz. O Léo tá longe e o trabalho dele tá ótimo, tá na ponta do futuro da criação hoje. Assim como vcs.
Fica a dica pra expandir a mente> http://vimeo.com/12784153
Beijos, adoro vcs!
Vi um show do Móveis e fiquei impresisonado com a empolgação do público.
Depois fui ver as músicas para entender porque ainda não fez mais sucesso na mídia, achava que talvez fossem as letras.
Mas prestando atenção acho que descobri, o problema é que o cantor não passa emoção na voz dele, ele sempre canta como um coelhinho saltitante feliz!
Xinguem o cantor antes do shows, quem sabe ele fica com raiva e passa isso nas músicas? :-P
Boa sorte!
Referente ao comentario; Imaginarium of Doctor Parmassus, cantor se chamar André Gonzalez ele e perfeto e completa a banda só quem não e fã de verdade não percebe que ele canta com a emoção nescessaria que pedir a música, ele e perfeito como cantor, tem presença de palco muito talentoso como cantor, se banda não, faz mais sucesso com a mídia e porque não tem a devida oportunidade se banda chegou onde chegou não foi graça a mídia foi graça aos fãs que colocam eles pra frente, não venha colocar culpa no vocalista da banda todos eles são muito queridos pelos fãs, esses caras são muito legais como pessoas, André está acima dessas criticas maldosas.
Laia,
1 - eu não sou da banda;
2 - concordo contigo que o direito autoral é hoje mais um problema do que uma solução, a idéia do post é exatamente evidenciar os absurdos da lógica que está em vigor;
3 - não estou opondo o Faroff aos Móveis, foi só um caminho para ligar a banda ao universo dos mashups.
A PIX e o coletivo Galeria Experiência também fizeram um documentário que fala sobre mashups, co-criação, novos caminhos da música, etc.
http://vimeo.com/12678461
Obrigado pela dica, Tessa; Vou ver agora mesmo. =)

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