Especial Curitiba Rock Festival

Fonte: Descubra Curitiba | Autor: Redação | Data: 28/09/2005
O segundo dia do Curitiba Rock Festival, talvez pela ressaca do grande show do dia anterior ou pela chuva insistente, começou com atrasos. A banda paranaense Black Maria se apresentou duas horas depois do planejado, às 17h15, e tocou para um pequeno aglomerado de pessoas perto do palco  quantidade que pareceria irrisória se o show tivesse acontecido na Pedreira Paulo Leminski.

Quando a segunda banda subiu ao palco o público aumentou. O primeiro show dos brasilienses do Móveis Colônias de Acaju em Curitiba foi também um dos melhores nacionais do CRF. A apresentação estava atraente desde o visual dos nove integrantes, smoking e tênis; à impressionante dança descontrolada do vocalista André Gonzáles, acompanhada pela movimentação de todos os músicos pelo palco.

Ritmos variados, do rock e ska ao samba, passando por uma variedade ampla de influências, grande presença de metais e letras com humor inteligente foram elementos determinantes para fazer a platéia, ainda pouco empolgada pelo início do festival, se contagiar com os nove integrantes do Móveis.

Durante a sexta música,  Copacabana , a banda convidou o público a dançar a balalaica em uma roda no meio do Curitiba Master Hall e conseguiu envolver a platéia como poucas. Para terminar, tocaram a cantiga de roda  Se essa rua fosse minha , acompanhada pelas vozes da platéia. O grupo, mais um a não poder passar o som, driblou bem os problemas técnicos.  Não estou escutando o baixo? Então vou pular, vou dançar , comentou depois o baixista Fabio Pedroza.


A atração seguinte era a cearense Karine Alexandrino, acompanhada apenas de um DJ  a cantora explicou que  não gosta de músicos . Se no primeiro dia algumas bandas já colocavam em dúvida a seleção do festival, a personagem  Producta , encarnada por Karine no palco, explicitou o equívoco. A platéia esvaziou ao ver o visual brega forçado de Producta, ouvir a voz estridente que teimava em cantar cada vez mais alto e as letras bobas, e assistir à infame reboladinha da  cantora de pijama. Nem engraçada ela conseguiu ser por muito tempo. Mesmo com a chuva, uma parte do público presente preferiu as tendas e outros espaços à presença incomoda da personagem. Tempo e paciência desperdiçados.

O rock mesclado com jazz do Los Diaños restabeleceu a platéia, mais numerosa por conta do avanço da hora. O figurino composto por gravatas borboletas vermelhas, suspensórios e chapéu de palha causava contraste com as tatuagens, enquanto a pesada bateria contrastava com letras ao estilo  meu docinho, você altera os batimentos do meu coração , da primeira canção tocada. Ainda que não tenha provocado fortes reações no público, a banda paranaense foi bem aplaudida. No alto do segundo camarote, o VJ Edgar Piccoli, da MTV, gravava em vídeo uma chamada para a emissora, comentando que Los Diaños foi atração do programa Bandas Novas. Outro VJ, o curitibano Rafa, também acompanhou o festival a trabalho, fotografando as bandas.

Sem recorrer ao humor, ritmo dançante ou músicas conhecidas, também foi difícil para a Patif Band conquistar a platéia. A banda seria a sexta a se apresentar, mas foi antecipada pelo cancelamento da participação do Hurtmold no CRF (o sexteto desistiu quando informado de que não poderia passar o som). O vocalista Paulo Barnabé, sem muitos esforços
para entreter os expectadores, cantou boa parte das músicas sentado no palco. O comportamento desinteressado se transformou em atitude roqueira quando a banda tocou  Poema em Linha Reta , ótima versão musical do poema de Fernando Pessoa. Os versos que começam com  nunca conheci quem tivesse levado porrada ganharam força com o ar de revolta impresso pela banda paulista. A Patif Band e Los Diaños fizeram shows interessantes para a parte do público menos interessada em apresentações performáticas.

Platéia cansada, ainda faltava o Ultramen antes das aguardadas atrações internacionais. Uma das expoentes da frutífera cena do Rio Grande do Sul, a banda entrou no palco às 20h30 (o atraso do festival, a essa altura, acumulava 45 minutos) para tocar  Olelê , canção homônima do disco lançado em 2000. A mistura de samba rock, hip hop reggae e heavy metal continuou com  La Negrita , do primeiro CD,  De Canto e Sossegado e  Confessionário . Quando tocaram uma das músicas gravada no Acústico MTV Bandas Gaúchas,  Dívida , a voz da platéia pôde, enfim, ser escutada durante o refrão:  aquela dívida de uns anos atrás está bem viva, você não lembra mais . Em seguida, alguém da organização pediu para o Ultramen tocar apenas mais duas músicas, o que deixou o vocalista Tonho Crocco visivelmente contrariado. Como aconteceu com as outras bandas nacionais, meia hora foi o limite da apresentação.

Mais meia hora de espera se passou até a dupla dinamarquesa The Raveonettes aparecer no palco, com cigarros e copos de uísque nas mãos. A loiríssima Sharin Foo (guitarra) e o esquisito Sune Rose Wagner (guitarra) cantaram para a casa cheia 17 músicas do EP  Whip it On e dos CDs  Chain Gang of Love e  Pretty in Black . Linda, bêbada e com uma bela voz, Sharin monopolizou as atenções enquanto cantava, enchia mais um copo de bebida, dançava e quase perdia o equilíbrio. O tecido da saia ela segurava com força, amassado entre os dedos. Uma  rock star sedutora, melancólica e aparentemente desprotegida ao lado do talentoso (mas apagado) Sune, o compositor da dupla. Mesmo sem conhecer as primeiras músicas, a platéia se rendeu à melodia do rock de garagem sexual-romântico, pitadas dos anos 50 e guitarras distorcidas.

O show começou com  You Say You Lie , seguida por  Heartbreak Stroll ,  Let s Rave On e  Red Tan .  Little Animal precedeu à deliciosa  That Great Love Sound , primeiro grande momento do show, cantada pela platéia aos pulos. Outra música acompanhada pelo público veio logo em seguida:  Attack Of The Ghost Riders , com Sharin Foo tocando pandeiro.  Veronica Fever ,  Do You Believe Her ,  Evil L.A. Girls (muito aplaudida) e  If I Was Young mantiveram a vibração, que atingiu mais um ponto máximo quando Sharin cantou  My Boyfriend s Back , cover de The Angels gravado no último CD da dupla. Depois de tocarem  Remember ,  NY Was Great e o hit  Love in a Trashcan , os vocalista do The Raveonettes anunciaram que viria a última música:  Twilight , com longo solo de guitarra.

A platéia queria mais, alguns fãs em frente ao palco convidaram Sharin a pular sobre eles e ela ameaçou jogar-se. Um resto de sensatez fez a loira desistir da aventura. Sharin preferiu descer pelo corredor de segurança entre o palco e os primeiros fãs, onde os fotógrafos trabalhavam, conversou com o público da primeira fila, acenou e tocou as mãos estendidas. Se, a princípio, boa parte do público estava lá apenas para esperar o show do Mercury Rev, logo se esqueceu disso. The Raveonettes fez um grande show e saiu do palco às 22h48 de domingo.






Saiba mais

Matéria Original

Compartilhar em comunidades, enviar por email, etc. Compartilhar esta página...

Boletim Notícias Móveis

Nome

Email
Assine nosso boletim de notícias e saiba tudo o que acontece com os Móveis.

Download do Complete no Ãlbum Virtual

Notícias relacionadas

Curitiba Rock Festival: Segundo dia Dynamite | 25/09/2005

Mercury Rev propõe apologia ao ambiente em Curitiba Folha de São Paulo | 27/09/2005

Brasileiros também fazem festa Istoé Gente | 03/10/2005

Mercury Rev e Raveonettes, o enfumaçado e o ensolarado O Estado de São Paulo | 27/09/2005

Descubra Curitiba entrevistou a banda que foi o destaque nacional do Curitiba Rock Festival Descubra Curitiba | 03/10/2005


Logotipo Móveis Coloniais de Acaju