Feijoada búlgara com black-tie

Fonte: O Globo | Autor: Bruno Porto | Data: 04/10/2005
Algumas bandas têm nomes que traduzem com perfeição o tipo de som que elas fazem. Não é o caso do grupo Móveis Coloniais de Acaju, que é baseado em Brasília e foi o grande destaque nacional do último Curitiba Rock Festival. O nome da banda remete a uma sonoridade séria, careta. A música que o MCA faz, no entanto, não tem nada de quadrada.

Com nada menos do que dez integrantes, a banda soa como um híbrido de big band com o Los Hermanos do início da carreira. Na salada que é o som do grupo, guitarras dividem espaço com saxofones e flautas. O saxofonista barítono Esdras Nogueira tem uma definição para a música feita pelo MCA.

 Nosso som é uma feijoada búlgara com influências de músicas do leste europeu, do samba, do rock, do ska e por aí vai...  diz ele.  No Curitiba Rock Festival, uma pessoa chamou nosso som de big band on drugs . Outro dia, em Goiânia, um cara disse que a gente fazia um som envernizado. Acho que é mais ou menos isso tudo.

Esdras conta que o nome do grupo é uma homenagem a um episódio da História brasileira que envolve a Ilha do Bananal, localizada entre Tocantins e Mato Grosso.

 No século XVIII, a Ilha do Bananal era colonizada pelos ingleses. A principal fonte de renda do lugar era a a produção de móveis de madeira acaju. Um dia os colonos ingleses foram expulsos pelos índios com a ajuda dos portugueses e o evento ficou conhecido como a Revolta do Acaju  explica Esdras.  Escolhemos esse nome para homenagear o episódio e porque ele é grande como a banda.

O MCA fez uma apresentação explosiva no Curitiba Rock Festival, que aconteceu nos últimos dias 24 e 25 na capital do Paraná. Os integrantes do grupo subiram ao palco vestindo black-tie e não ficaram parados um segundo. O vocalista cabeludo Alex lembra uma mistura de Marcelo D2 com Zack de la Rocha, vocalista do extinto Rage Against The Machine. No final do show, ele desceu do palco e formou uma roda junto com a platéia. A banda só toca vestida de black-tie em ocasiões especiais, segundo Esdras.

 Também usamos black-tie no nosso primeiro show. Mas procuramos variar. Já tocamos de macacão  diz.

O MCA surgiu em 1998 de maneira despretensiosa. No começo, só três pessoas faziam parte da banda. Esdras diz que o grupo tem um disco gravado.

 Ele se chama  Idem e foi produzido pelo Rafael Ramos, que trabalhou com a Pitty, com o Dead Fish e o Los Hermanos  conta Esdras.  O disco foi lançado em maio deste ano de forma independente e vendeu 2.007 cópias em duas semanas. Só em Brasília.

Por causa da correria em cima do palco, eventualmente algum músico sai machucado dos shows.

 Muitas vezes saíamos do palco pedindo massagem  brinca Esdras.






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