Eu Matei Redson Pozzi

Fonte: Devana babu | Autor: devana babu | Data: 11/12/2011 | 0 comentários

Ou: Cólera e arrependimento, ou:
Gosto sem sabor, ou:
Murder! ou:
Redson Pozzi deixa a terra em paz, ou:
E.S.S.M.


Prólogo


"Redson, fundador do grupo punk Cólera, morre aos 49 anos
Da Redação

Morreu na noite desta terça-feira (28), em São Paulo, o músico Edson "Redson" Pozzi, guitarrista e vocalista do grupo punk Cólera, um dos mais importantes do cenário brasileiro. Apesar de poucos detalhes divulgados, a informação é a de que Redson teria sofrido uma parada cardiorrespiratória.

A notícia da morte foi dada na comunidade da banda no Orkut pelo baixista Val Pinheiro: "lamento informar a todos os nossos amigos, fãs e família que o nosso principal membro da banda Cólera, Redson, faleceu hoje, deixando um legado incalculável em nossas vidas". No Twitter, o músico João Gordo, da banda Ratos de Porão, lamentou a morte do músico. "É com lágrimas nos olhos que recebo a notícia da morte prematura do maior ícone do punk brasileiro. Descanse em paz, Redson. É uma perda irreparável, estou chocado", escreveu.Formado em 1979 por Redson e seu irmão Carlos "Pierre" Lopes Pozzi, o Cólera é considerado um grupo seminal do punk no Brasil, com os álbuns "Tente Mudar o Amanhã" (1984) e "Pela Paz Em Todo Mundo" (1986) sendo dois dos principais discos do gênero no país. O grupo se caracterizava por sua mensagem pacifista e de caráter muitas vezes ecológico, algo que o diferenciava de nomes como Inocentes, Olho Seco e Ratos de Porão. Lançado em 2004, "Deixe a Terra em Paz!" é o sexto e mais recente álbum do Cólera."

Uol Entretenimento., 29 e setembro de 2011

http://musica.uol.com.br/ultnot/2011/09/28/redson-fundador-do-grupo-punk-colera-morre-aos-49-anos.jhtm


--tão seus olhos faiscaram pela última vez e eu perguntei a mim mesmo o que queria sentir. Alguma coisa no meu peito transbordava, pressionava, com se eu tivesse algum tipo de congestão mas com certeza era algo impalpavel, e eu sabia que era uma sensação mas eu não sabia o que sentir, só sei que me angustiava, me dava vontade de nada e ao mesmo vontade de alguma ocisa, mas oque? o que? dormir, morrer, pra não sentir nada ou não ter que me preocupar muito. sei que o pensamento é uma doença mas não consigo me livrar, algum antidoto, sexo?

eu vi o cara morrendo e estrebuchando ali na minha frente e u não podia fazer nada, ou podia mas eu sempre fui tão lerdo, eu sempre pensei que se algum dia alguem passasse mal na minha frente eu não saberia o que fazer e aqui estava eu de frente fcom o fodíssimo redson pozzi, a lendo do punk rock morrrendo na minha frente, morrendo na minha frente, a lenda. O que diriam as pessoas? de alguma forma eu tinha que ajudá-lo, porque ele era foda demais para morrer. o mundo precisa de alguém como ele, que falta ele faria mas puta que pariu, o que eu vou fazer? porra, e a í ele suspirou e parou de respirar e agora está no chão com uma cara patetica, nem paracendo aquela cara forte como um touroq ue empunhavca dsua guitarra como uma bandeira e sua palheta como um punhal, tendo por escudo seus ideais a a cfrrente um exercito de gente fuiriosa e desajustada que respondia fortemente a suas palavras eloquentes. vestindo seu ideias ea gora os olhos de peixe quando ele está fraco, e eu impune. ele foi tão legal abrindo a porta da casa pra mim, eu, um fã tolo e idólatra doido para desfrutar de alguns momentos da companhia deste que foi um grande mentor em minha vida e na de muitas pessoas e na de uma geração e na de um movimento e na de uma existência, batendo a porta da casa dele a meia noite, oq ue eu pensava? sei que ela abriu e não parecia estar nem um pouco com sono e sempre muito simpático e amável me convidou para entrar, me mostrou um monte de discos, me mostrou suas guitarras, me contou histórias de um passado heróico, sem nunca deixar de dar atenção a seus amigos no msn, alguns admiradores/amigos de terras distantes distantes que pediam dicas sobre marketing ou sobre distribuição independente ou gestão de projetos ou o que seja, provavelmente um desses o socorreu notando que el enão respondia nunca, talvez teha ligado e visto que estava lá passando mal, morrendo, ou morto, sozinho, que eu o deixei lá para morrer e a história nunca vai me perdoar, e mesmo que ninguem nunca descubra eu vou saber disso pra sempre, e sempre que minha banda tocar ela só sabia matar eu saberei que quem só sabia matar era eum eu, eu sou o assassino, murderm murder, m urderrrrrr, será que foi a coca-cola que eu convenci ele a tomar? ele insistiur que era uma posição política e eu discuti com ele só pelo prazer de ver o grande redson defender seus ideias com tanta convicção ou em outro caso ver ele ceder a minhas teorias idiotas e minutos depois ele falar que na verdade tinha ulcera. será que é assim a pessoa toma coca e morre na mesma hora? acho difiil, mas putz, eu estava apavorado, e o pavor me fez pensar que eu o tinha matado e correr porque eu não sabia o que pensar, não sabia mesmo... então corri pelo portão a fora, deixei o sozinho para morrer e horas depois o márcio o encontrou e o levou para o hospital mas já era tarde demais, e agora o grande redson do colera está morto e eu sinto que a culpa é toda minha. ainda posso ver seus olhos faiscando na minha cabeça e sinto que todos os punks do mundo querem que eu morra inclusive eu, mas não tenho coragem. suicidio animal. e agora as vozes que zoam minha mente, e um gosto sem sabor. sei que isso é incoerente e que eu nunca sai de brasília e ele morreu em são paulo mas eu posso ver nitidamente o rosto dele morrendo na minha frente porque eu o amava e sinto qeu todos os admiradores desse grande cara por mais que tentem afastar também podem ver isso, e que tudo não passa de uma fantasia morbida da minha cabeça mas que hei de fazer? ali está o grande redson agonizando no chão de seu apartamente eu não pude fazer nada e agora é que o rock vai morrer de uma vez mesmo. o que mais me assusta é que ainda tive a pachorra de roubar uma palheta e um poster dos sex pistols do seu quarto de --

(15/07/1962 - 28/09/2011)



Epílogo



"A gente tinha um projeto de cover do Clash, fizemos alguns show alguns meses atrás. Ele foi pioneiro do punk nacional, o primeiro a gravar, junto de Clemente e Olho Seco. Acho que fui o primeiro a tocar uma demo dele na Rádio Excelsior, 1979. Foi um cara importantíssimo para o punk. O Cólera não tinha só reconhecimento no Brasil como na Europa também"
Kid Vinil, pesquisador musical

"Fui muito amigo dele em 82, no começo de tudo. Depois nos desentendemos, mas há cinco anos no encontramos, colocamos as diferenças em pratos limpos e voltamos a nos falar. Hoje quando fiquei sabendo sobre a morte foi um choque que me machucou muito. Ele é um ícone de nós todos sobreviventes dessa época. Ele foi o único que manteve as origens do 'faça você mesmo'. Era muito jovem pra morrer"
João Gordo, vocalista do Ratos de Porão


"Não sei nem o que falar. Fiquei meio chocado porque conheci o Redson em 1979 e pra mim não é só o Redson do Cólera, é um grande amigo, velho de guerra. Ele ia tocar com o Inocentes num show em Brasília no dia 15 de outubro e a gente já tinha ensaios marcados. Realmente não sei o que falar, estou muito triste"
Clemente, vocalista do Inocentes


"Na verdade montei o Combat Rock há muito tempo com o Redson, fizemos vários shows e ainda estamos fazendo. A gente se conhecia desde criança, ele que produziu o primeiro disco que gravei. Redson era um irmão e sempre fazíamos umas coisas juntos"
Mingau, baixista do 365 e do Ultraje a Rigor


"É tão difícil de falar... Posso dizer que foi uma honra uma grande ter compartilhado o palco algumas vezes com o ícone da história do rock do Brasil. Também de ter a amizade dele. Eu lembro dele e começo a dar risada porque ele era uma pessoa muito bem humorada"
Ari Baltazar, guitarrista do 365 e do Combat Rock




* Originalmente publicado na revista Supernovas, Ano 1, Segunda Edição, outubro de 2011. Adaptado.Ilustração: Zakuro Aoyama: www.flickr.com/zakuro


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