Móveis, músicas e cores
Fonte: Paraná-Online | Autor: Priscila Geha Steffen | Data: 10/01/2006
Hoje tive uma daquelas boas surpresas. Logo chegando a um dos meus trabalhos aqui no Rio de Janeiro, comecei a ouvir um som muito diferente e que agrada aos nossos ouvidos. O nome do grupo é curioso e interessante: Móveis Coloniais de Acaju (foto). Isso mesmo! Eles já foram na MTV, tem clipe rolando por aí e outras coisas mais, mas como quase não tenho tempo de ligar a televisão e certamente eles não devem ter espaço nas rádios, só deste jeito mesmo para conhecer o som. O ouvido deve estar atento a tudo e a todos. E ainda bem que está.
O Móveis é de Brasília e existe desde 1998. São nove integrantes que sabem utilizar o talento e os instrumentos com maestria. Tem sax barítono, sax tenor, trombone, gaita, flauta, guitarra, baixo e bateria. Não sei se você conhece a turma do Funk como Le Gusta, de São Paulo? O Móveis lembra um pouco eles também, com a grande diferença que o Funk está no coração nervoso do Brasil e o Móveis, no coração burocrático. Mas ainda bem que nem só de políticos vive Brasília. Veja bem: nos primeiros dez dias que o CD de estréia foi lançado, com o nome Idem, já tinha vendido 2 mil cópias só em Brasília. Detalhe: só tinham feito 3 mil cópias. Agora já saiu uma segunda prensa de discos.
O nome do grupo se refere à Revolta do Acaju, que abalou a Ilha Furn colônia da coroa britânica em território brasileiro no século 18, hoje conhecida como Ilha do Bananal. O som é um tanto inclassificável, como eles mesmo dizem no site oficial da banda www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br : Nossa música é difícil de classificar, mas fácil de gostar! . É uma mescla de sons e permitam-me usar uma perfeita qualificação para o grupo feita pelo jornalista Hélio Franco (Correio Braziliense, 13 de maio 2005): eles são como um liquidificador inteligente, se utilizam de uma infinidade de gêneros e ritmos sem, no entanto, exalar aquele ecletismo premeditado . Uma ótima definição também é feita por André Abujamra que escreveu o release do disco: Essa banda é uma mistura de Kusturica com Hermeto, um pouco de Cuba com macarrão, um pouco de paulista sendo de Brasília, um pouco de Brasília sendo do Brasil, um pouco do mundo sendo da Terra, e por que não um pouco de Karnak com Los Hermanos, um pouco de Pato Fu com amendoim, um pouco de móveis com cabelo, um pouco de sorte com pensamento, um pouco de dor com amor, um pouco de solidão com quarto e sala com fiador, Gorbachev com Copacabana, Samba de russo, Pagode de cego com Tom Waits, se fosse Teatro seria Tadeus Kantor, se fosse foto seria do Rodchenko, se fosse esquilo não sambaria .
Tem uma história curiosa que Abujamra também conta no texto.
Um dia de sol recebi um telefonema estranho:
Por favor aqui é do Móveis Coloniais de Acaju.
Desculpa, eu já tenho móveis, eu respondi.
Não, aqui é uma banda de Brasília.
Sério? Então já gostei do som! Com esse nome o som deve ser bom.
Pronto.
Conheci os caras, quero produzir& até que a vida me levou para o México fazer trilha de cinema. Que pena&
Pena nada, os caras fizeram um puta CD.
Daí sobrou de eu escrever.
André finaliza: eles apenas são uma grande Banda com um grande som!
O Móveis Coloniais de Acaju passou por Curitiba com destaque no Curitiba Rock Festival de 2005. Agora é só provar, testar, ouvir, e gostar. Realmente é fácil gostar! Boa semana e até a próxima...
Para ir:
Festa da XXIV Oficina de Música de Curitiba com Maria Faceira Orquestra de Gafieira
Data: 13 de janeiro de 2006 (sexta-feira)
Horário: 23h
Local: Sociedade Bailalá (antiga Treze de Maio) Rua Clotário Portugal, 274
Ingressos: R$ 5,00 (para a comunidade e alunos da Oficina de Música)
Informações pelo telefone 3016-6674
Para ouvir: Móveis Coloniais de Acaju Idem