Quando ganhei o blog tive a idéia de convidar pessoas que tenham algo a dizer para darem seu recado aqui. O primeiro é Bruno Levinson (foto). Criador do Festival Humaitá para Peixe, que este ano teve sua 12ª edição, Bruno batalha com dedicação no meio independente, sempre estendendo a mão para novos talentos. Depois do Humaitá, ele continuou a promover shows no Espaço Sérgio Porto no Rio e há dias mandou um e mail sugerindo um tema para o blog, aí pedi que ele mesmo escrevesse. Os próximos shows promovidos pelo Bruno acontecem dia 5 de abril (Nervoso e os Calmantes e Canastra) e dia 18 (Kátia Dotto e Luxúria). Mais informações no site dele, www.pilastra.com.br.
Fala Bruno:
Vamos direto ao ponto: Cadê o público??!!
Não tô aqui para reclamar. Não é do meu feitio. Até pelo contrário, acredito que o lance é encarar as dificuldades e seguir em frente. Positivo e operante!
Por conta de trabalhar com novos talentos sou obrigado, e isto não é esforço nenhum, a ficar atento aos trabalhos de quem está chegando na área. Conhecer novos artistas é a minha fonte, a minha matéria prima. E, neste quesito, posso garantir que não existe crise. A crise pode estar na indústria, no mercadão, mas de talento nunca tivemos crise. Muito pelo contrário.
Hoje estou bem impressionado com os novos talentos e os artistas da dita “cena independente”. Artistas de vários estilos musicais extremamente talentosos e cada vez mais conscientes do trabalho que terão pela frente até consolidarem suas carreiras. Já não acreditam tanto no modelo de se tornarem “pop stars”, no que este termo tem de pior. Hoje todo mundo sabe que tem que ralar muito e que um contrato não é garantia de mais nada. Hoje, os novos sabem bem que o caminho é longo e que, deixando o fator sorte de lado, depende basicamente de talento e muito trabalho. Hoje temos novas ferramentas tecnológicas que facilitam a produção e também a promoção desses artistas. E eles estão sabendo tirar um bom proveito deste “novo mundo”. Mas e o público? Sim, por que chega uma hora que de nada valem tantas ferramentas se não for para ter o mágico encontro entre público e artistas ao vivo, juntos.
E é aí que sinto que tem algo de errado. Se não errado, ao menos estranho. Se não estranho, no mínimo preocupante. Se não preocupante, curioso... O fato é que tô achando o público carioca meio passivo demais, pouco curioso demais, sem atitude demais. Cada vez mais parece que o público vai só atrás da moda do que é “badalado”. Se a moda é hip hop vai todo mundo no hip hop. Se a moda é o tal funk carioca, vai todo mundo pro baile funk; se é música eletrônica, vamos todos para as raves. Sei lá, num momento onde cada um tem todas as possibilidades de buscar as informações que lhe sejam pertinentes, num momento onde o conceito de comunicação de massa começa a dar lugar a uma comunicação mais segmentada, o público continua só seguindo o que está na moda?! Sei lá, acho estranho. Musicalmente então, é tão fácil hoje em dia escapar da monocultura, escapar do padrão e dos bizarros play lists das fms, programas de auditório, etc... E o público parece ainda olhando para trás. Não sei, talvez eu esteja exagerando um pouco, querendo demais do público. Mas vejo que os artistas estão fazendo a sua parte, os produtores também. E eles? Será que o público está desempenhando bem o seu papel? Podemos criticar o público ou só artistas e produções são passíveis de críticas? Será que o público também não tem uma certa responsa sobre o que entra no mercado? O que vocês acham disto que estou dizendo? Que tal trocarmos uma idéia? Fala aí...
Alô, galera, vambora desligar o rádio e sair baixando e trocando músicas dos independentes que disponibilizam tudo!! Vambora levar um amigo para conhecer a banda que você curte. Vambora escrever nos blogs, fotologs, sites, orkuts, comentários sobre os novos, sobre os que estão chegando, sobre os que estão fora da crise do mercadão. Vambora levar a cena adiante. Vambora fazer a nossa cabeça!! Que tal? E como trilha sonora podemos ir ouvindo: Moptop, Canastra, Móveis Coloniais de Acaju, Ronei Jorge, Rodrigo Maranhão, Céu, Mutreta, DigitalDubs, Ponto de Equilíbrio, Nervoso, Kátia Dotto, Besouro Zorah, Lucas Santtana, Irmãos Panaroto, Zeferina Bomba, Botecoeletro, Turbo Trio, Kátia B., Columbia, Eletro, Wonkavision, Casuarina, Nego Moçambique, Rubinho Jacobina, Jonas Sá, Carbona, Simbora, Cecília Spyer, Rockz, Binário, Marechal, etc... etc... e tal.
Bruno Levinson

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