Em 1995, o gaúcho Fernando Rosa deixou Porto Alegre e aterrisou em Brasília, para assessorar uma senadora. Colecionador de discos, passou três anos observando à distância todo aquele planalto de rock que, na década de 80, mobilizou a indústria fonográfica nacional. Acabou apaixonando-se pela história do pop candango - e quis fazer parte dela. Desde 1998, movimenta-se entre programas de rádio, seu site (www.senhorf.com.br) e, agora, com a gravadora Senhor F, lança a coletânea Rock de Brasília - A Terceira Onda. O disco, previsto para sair em julho, reúne 19 nomes tirados da garagem do DF à força por Rosa e revitaliza a cena, movida fortemente pelo Porão do Rock. No último fim de semana, o megafestival, que acontece anualmente, reuniu 45 mil pessoas no estacionamento do estádio Mané Garrincha, com 34 atrações, 13 delas locais.
- Não vai mais haver aquela explosão que aconteceu nos anos 80 porque as gravadoras estão vivendo uma grave crise - avalia Rosa, que, aos 51 anos, encarna o papel de pai da cena. _ Mas há aqui, agora, uma preocupação em construir uma carreira sem precisar de esquemões.
Bandas da década de 80 como Paralamas, Capital Inicial e Legião Urbana viraram lenda nas quadras de Brasília. Nos anos 90, Raimundos e Natiruts representaram a Segunda onda. A realidade de hoje é mais underground: a molecada sai de casa para assistir a nomes desconhecidos fora do DF como Bois de Gerião, Móveis Coloniais de Acaju, Suíte Super Luxo, Capotones, Prot(o), Capotones, Lucy and the Popsonics, entre outros.
Líder da oitentista Plebe Rude, que foi remontada em 2000, Phillippe Seabra identificou o novo calderião do rock brasiliense e voltou para casa. Ele viveu em Nova York por cinco anos na década de 90, passou pelo Rio e, de 2004 pra cá, montou um estúdio em Brasília.
- Há muita qualidade no rock de Brasília hoje - acredita Seabra. - Sinto que há uma cobrança enorme para que a Terceira Geração aconteça logo. As pessoas precisam entender que o sucesso hoje é bem mais difícil de acontecer do que na minha época.
- Queremos tocar por aí sem pensar em contato com multinacionais - diz Rafael Farret, vocalista do Bois de Gerião, cujo segundo CD, Nunca mais monotonia, acaba de sair pelo selo Prótons.
Brasília ainda "tem centros comerciais, muitos porteiros e pessoas normais", mas não é mais verdade que "essas pessoas não fazem nada", como canta a Plebe em Brasília, clássico de seu O concreto já rachou (1985). Gustavo Sá, Ulisses Xavier e Raul Santiago, produtores do Porão do Rock, assinam o levante de Brasília. Eles levaram às últimas conseqüências o lema punk "faça você mesmo". Atraíram o poder público e a iniciativa privada a apoiar o festival e fazem, desde 1998, a cena acontecer.
- A dificuldade maior é tirar as bandas daqui - diz Gustavo Sá. - Por isso criamos a Abrafin (Associação Brasilieira dos Festivais Independentes). Será uma forma de unir os festivais em prol das bandas e queremos todos os produtores inseridos nela.
Brasília não é uma ilha cercada de nada por todos os lados. A três horas dali fica Goiânia, cujos festivais alternativos Bananada e Goiânia Noise abrigam bandas brasilienses. Lá, porém, ainda se espera a Primeira Onda.

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