Um grupo de amigos que têm em comum a paixão pela música. Geralmente é assim que surge uma banda de rock. Das garagens e estúdios de ensaios para os palcos o caminho é longo e bastante difícil.
Mas não é por isso que eles se intimidam. Correm atrás, gravam discos independentes, produzem os próprios shows e, quando surge um festival disposto a apostar no estilo, ele é muito bem-vindo!
Dos palcos de festivais como Abril Pro Rock e Humaitá pra Peixe saíram muitas bandas que, atualmente, figuram entre as mais influentes do rock nacional.
“Participar de um festival é muito importante, principalmente para nós, que estamos começando agora. Esse é o nosso primeiro show juntos, é uma forma de expor o nosso trabalho e também de poder mostrar para outras pessoas o que a gente realmente gosta de fazer, expor nossas influências musicais, sem contar o fato de conhecer pessoas que estão ali pelo mesmo motivo”, diz Rachel Rennhack, vocalista da banda carioca Contém Glúten, que toca no Festival EsPunk, sábado, dia 29 de julho, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
“Acho que a oportunidade de poder tocar para um público alvo é legal e se a banda fizer um bom show isso pode ser ótimo para conseguir novos fãs”, diz Bruno Maia, baixista e vocalista da banda Wimp, do Rio de Janeiro, que também se apresenta no festival EsPunk, no sábado, dia 29 de julho.
Para as bandas que ainda estão dando os seus primeiros passos, uma grande dificuldade é conseguir uma oportunidade de tocar em algum lugar e poder mostrar o trabalho.
“É como conseguir o primeiro emprego. Você tem que ter uma experiência, tem que ter um renome, tem que vir com um feedback”, diz Rafael, vocalista da banda carioca Krasis, que toca no 1º Festival de Bandas Rio Rock & Blues Club, no dia 30 de julho, domingo, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Os festivais aparecem como uma alternativa para os músicos independentes exporem a sua música e toda movimentação cultural gerada por meio dela.
“Os festivais abrem oportunidades às bandas, permitem a abertura a novos públicos e o contato com outros grupos. O Móveis Coloniais de Acaju teve sua projeção também ligada aos festivais. Participamos de festivais universitários, como o Finca (Festival Interno da Universidade de Brasília), passando por eventos recordistas de público, como o Porão do Rock (2000 e 2005), e eventos com atrações internacionais, dentre eles o Brasília Music Festival 2003 e o Curitiba Rock Festival 2005".
“Aumentamos nossa visibilidade”, diz Esdras Nogueira, saxofonista da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju, que toca no Festival Laboratório Pop, dia 3 de agosto, quinta-feira, no Teatro Odisséia, na Lapa, Rio de Janeiro.
Para os artistas independentes que já têm um caminho iniciado, os festivais não são fundamentais, mas não deixam de representar um importante espaço de visibilidade.
“Acho que é uma mistura. Quem faz trabalho independente algumas vezes está em festivais, outras vezes está em produção própria”, diz a cantora e guitarrista carioca Kátia Dotto, que já passou por bandas como Leela e Penélope, e se apresentará no Festival Copa de Bandas, no dia 20 de agosto, domingo, no Teatro Odisséia, na Lapa, Rio de Janeiro.
“Acho que o mercado independente atual, pelo menos no Rio, não está dependendo muito de festivais. Quando rola, é muito bom porque geralmente são shows com produção melhor, mas tem muita banda que já tem seu público, produz seu show, chama uma banda amiga, fecha uma casa e faz o show e não fica dependendo de festival. Mas eu acho que festival ainda tem uma produção melhor”, diz Pedro, guitarrista da banda Chalaça, do Rio de Janeiro, que se apresentou no festival Copa de Bandas, no dia 16 de julho, e está classificada para a próxima etapa, em novembro.
“Hoje em dia está tendo mais espaço porque os lugares estão se abrindo mais para o estilo que a gente toca, que é um estilo que está crescente. Parece que as coisas funcionam em ciclos. Nos anos 80 aconteceu um boom de bandas no Brasil, e agora parece que está acontecendo de novo. Parece que são vários vetores apontando para o mesmo lado. É uma casa que se propõe a fazer um festival de rock, é uma revista que lança, uma infinidade de sites que querem divulgar esse estilo, um monte de bandas tocando, alguns bons músicos, boas bandas, boas composições, tudo vai convergindo para o mesmo ponto”, acrescenta Pedro.
“Eu acho que a maneira certa de encarar estes festivais é ficar alheio ao espírito competitivo da coisa e ver como mais uma oportunidade de fazer um show”, diz Pitito, baterista da banda Chalaça. “E nem todo festival é competitivo. Tem muito festival que é só demonstrativo. Fica mais divertido ainda”, complementa o guitarrista Pedro.
Serviço:
Festival EsPunk, 29 de julho (sábado), a partir das 20h, com as bandas Contém Glútem e Wimp (www.wimp.com.br) – Quebra-Mar Cultural da Barra - Av. do Pepê, 32, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
1º Festival de Bandas Rio Rock & Blues Club, 30 de julho (domingo), a partir das 19h, com a banda Krasis – Rua Professor Ferreira da Rosa, 180, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Festival Laboratório Pop, 3 de agosto (quinta-feira), com a banda Móveis Coloniais de Acaju (www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br) – Teatro Odiséia – Av. Mem de Sá, 66, Lapa, Rio de Janeiro
Festival Copa de Bandas, 20 de agosto (domingo), com Kátia Dotto (www.katiadotto.com.br) - Teatro Odiséia – Av. Mem de Sá, 66, Lapa, Rio de Janeiro
Banda Chalaça (www.chalaca.com.br) – Classificada para a próxima etapa do Festival Copa de Bandas, em novembro.

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