TU: Maria Rita e convidados

Fonte: Trama Universitário | Autor: Alexandre Matias | Data: 22/08/2006

“O mais legal do Trama Universitário é justamente abrir essa possibilidade de encontros”, conta, empolgada, a cantora Maria Rita, a estrela de nossa próxima festa, que acontece dia 14 de setembro, em São Paulo. “E é justamente o aspecto mais legal da universidade, que é exatamente este. Um ambiente em que você tem contato com pessoas diferentes, cabeças diferentes. Eu nunca poderia fazer o show que eu vou fazer para o Trama Universitário se não fosse essa visão”.

Para se cadastrar para essa festa, clique aqui. Se você já for cadastrado, é possível conseguir o vale-ingresso por esse mesmo link. Depois de impresso, é só trocar o vale pelo ingresso. Os postos e datas para efetuar essa troca serão divulgados ainda esta semana, aqui no portal. A festa acontece no Via Funchal (Rua Funchal, 65, Vila Olímpia), a partir das 22 horas, e terá abertura do Quinteto em Branco e Preto e do Móveis Coloniais de Acaju, uma das vencedoras do Festival de Bandas TU.

Os encontros a que Maria Rita se refere são com novos nomes da música nacional como Pedro Luís, do grupo Pedro Luís e a Parede, e do sambista Leandro Sapucahy, que serão seus convidados na festa. “Eu sempre adorei o trabalho do Pedro e da banda dele, eles têm uma coisa de percussão que ao mesmo tempo em que é muito urbana, também é muito brasileira. Eu cheguei a gravar uma música com eles e me apaixonei pelo show que eles fizeram com o Ney Matogrosso”.

“Já o Leandro é ótimo, porque ele vem do samba, mas é super pop, e tem muita gente que não conhece ele. Ele faz o caminho inverso do que tem sido feito até agora, que é misturar hip hop com samba. Ele vem do samba e coloca o hip hop no meio – é rap samba, não samba rap”, ri a cantora.

“O show vai seguir o padrão dos meus shows, só que com essas participações, que eu não sei se conseguiria fazer num show normal, comercial. É muito bom poder ter esses dois num show meu”, comemora.

“A música brasileira está passando por uma fase muito boa, as pessoas estão botando a mão na massa e não tão mais esperando as coisas caírem do céu”, continua Maria Rita. “Eu não sei o que acontece com as outras pessoas, mas no meu caso, eu vi em casa. Meu pai (o músico César Camargo Mariano) vem da música instrumental, então nunca teve esse glamour de artista que as pessoas esperam. Aprendi que é tudo fruto do trabalho. E eu vejo isso nessa nova geração – as pessoas querem trabalhar e ver seu trabalho sendo aceito. Ainda tem essa coisa de ‘ser artista’, de celebridade, que é muito fruto da época em que as gravadoras multinacionais se estabeleceram no Brasil, nos anos 80. Mas as melhores coisas da música brasileira atualmente são feitas por pessoas que não tem mais essa percepção distorcida”, explica.

“E aí você vê o Rappa chamando uma cantora de MPB pra participar do disco deles, que no caso sou eu (ri), e ao mesmo tempo chamando o Siba, do Mestre Ambrósio, pra tocar rabeca. Isso seria impossível há alguns anos, eles são uma banda de reggae e de rock, não iriam chamar uma cantora de MPB e um regionalista de Recife para um show acústico com os hits da carreira da banda. Isso aconteceu porque essa geração sabe que o sucesso não acontece de uma hora para outra – quando acontece, é artificial. O sucesso é uma relação de confiança entre o público e o artista”.

Maria Rita cursou Comunicação Social e Estudos Latino-Americanos na NYU, em Nova York, e lembra da época da faculdade com saudade. “É incrível, a liberdade que você tem nessa época, você pode fazer o que quiser da vida. Mas ao mesmo tempo, tem essa coisa de que tá todo mundo no mesmo barco, então cria um senso de comunidade fantástico. Quer dizer, não é só liberdade, é algo maior (pausa). Tá, eu vou mudar (ri), não é liberdade, é a possibilidade de você poder escolher o que fazer com a obrigação”.

Mas isso não é uma metáfora para a própria vida, Maria Rita? “É, pensando bem, é isso. Veja você, eu fiz um semestre de sociologia, outro de italiano, outro de arqueologia, porque eu tinha que cumprir créditos. Aí eu não ia fazer as coisas só por fazer, fui escolhendo o que tinha a ver comigo”. Ela ainda pensa em voltar pra universidade. “Pois é, queria fazer um mestrado em História, que é um jeito legal de aprender sobre as culturas do mundo”, sonha, “meus melhores amigos eu fiz na universidade, é uma época muito legal da vida de qualquer pessoa”.

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