Ind(i)ependência ou morte! Festival No Ar Coquetel Molotov

Fonte: | Autor: Fabrício Ofuji | Data: 04/09/2006
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Móveis Coloniais de Acajú (sic) = destaque em festivais

O segundo dia começou com as palestras “Música em diferentes plataformas” e “Liberdade Artística com ou sem ordem?” e a mostra de curtas, com destaque para “Meu Nome é Paulo Leminsky” e “Quero Ser Jack White”. Quem não viu, vasculhe no youtube e veja.

Nos showcases, destaque para os paulistas da Debate e para Chambaril, figurinha conhecida e querida dos indies pernambucanos. Tentando vender seu peixe, os meninos tocaram com vigor suas músicas instrumentais bacanudas.

Os shows no teatro começaram com as meninas do Backing Ballcats Barbis Vocal’s, que lembravam muito a extinta Textículos de Mary. Levantaram apenas uma parte do público. A outra parte ficou sentada, provavelmente ao lado do preconceito. A mineira Valv veio com um bom indie rock, embora tenham dito que vieram substituir o Slayer, que fazia show em São Paulo no mesmo dia. Tinham bons ganchos, mas não animaram a galera, talvez por estarem pela primeira vez em Recife.

Os brasilienses da Móveis Coloniais de Acajú fizeram o melhor show da noite, se levarmos em conta a histeria do público. Tocaram o hino de Pernambuco, uma cover alucinante de “Glory Box”, do Portishead – pela primeira vez, não se conseguiu pensar em sexo com essa música – e também “Take Me Out”, do Franz Ferdinand. A Móveis definitivamente conseguiu seu espaço no coração dos indies recifenses e tem tudo pra estourar demais.

Depois de uma cover do Franz Ferdinand, o Rubin Steiner continuou ecoando a banda escocesa a todo instante. Há quem diga que é devido à influência de ambas ser a mesma: Gang Of Four. O show é cheio de energia e com uma ótima presença de palco dos franceses, mesmo que por vezes me viesse Alex Kapranos à cabeça. A big band eletrônica, diga-se de passagem, já foi atração do festival Eletrônika, de BH, em 2003.

Os norte-americanos do Tortoise fizeram o show mais esperado. Era a segunda vez que os caras de Chicago apareciam por aqui: em 99, a banda veio ao Brasil para ser amiga do Tom Zé (dividiram palcos) e da Nação Zumbi (shows e produção de faixa do CD Rádio S.A.M.B.A.). O concerto foi calmíssimo e intimista tal qual CocoRosie. Muita gente reclamou da escolha das bandas, mas o No Ar Coquetel Molotov sempre surpreende e nos deixa com gostinho de quero mais. Neste ano, o festival foi embora deixando indie rock e post-rock no ar. Alguém arrisca quais ondas vão habitar o ar das próximas empreitadas do Coquetel?

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