Era um domingo do final do mês de setembro, quando a Móveis Coloniais de Acaju foi a atração da vez do projeto Sons do Planalto, realizado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O lugar estava tomado de fãs da banda, que dançavam freneticamente e cantavam cada verso das canções. Na música Copacabanda, rodas se formavam ao longo do hall do CCBB, sendo que uma formada em frente ao palco era enorme. Mas não se tratava das rodas de pogo, vistas em shows de rock onde as pessoas correm em círculo chutando e socando ar, grama, terra, pessoas e o que vier. No show da Móveis, elas são em estilo grego: as pessoas se abraçam e a roda começa a girar devagar onde todos de abaixam e se levantam como se fossem uma onda. Na medida em que o ritmo se acelera, a roda “pula” até se desmanchar. Parece bobo, mas é um show de interatividade e sintonia raros. É um espetáculo gostoso de se ver e participar.
Mas quem viu a Móveis Coloniais de Acaju em suas primeiras apresentações em 2000/2001 tinha algumas dúvidas de quão duradoura essa banda nascida no Distrito Federal poderia ser. Tratava-se de algo inédito em Brasília porque até então ninguém na capital federal havia ousado colocar no liquidificador rock, swing, ska e um pouco de Karnak para formar algo novo. Outra razão para desconfiança era o número de integrantes. No início eram oito (André vocal; Beto flauta; Borém gaita; Fábio baixo; Leo guitarra; Renato bateria; Rodrigo saxofone; Xande trombone). Como uma banda independente de som estranho e cheia de gente poderia ir longe? Mas foi. A Móveis não apenas se consolidou como hoje é considerada a banda independente mais destacada de Brasília. E há sinais de que ela tem munição para surpreender ainda mais.
Hoje são dez integrantes no palco (saiu Rodrigo, mas entraram BC guitarra; Esdras sax barítono; Paulo Rogério sax tenor). Eles têm o apoio de uma equipe que inclui técnicos de som, luz e palco, três rodies, VJ, assessor de imprensa (que também é produtor) e mechandising. Além disso, a banda criou uma estrutura quase empresarial para poder se viabilizar. Muitos dos shows pela cidade são produzidos pelos próprios integrantes. Foram eventos que deram tão certo que eles abriram espaço para surgimentos de projetos como “Móveis Convida”, onde os anfitriões dividem o palco com bandas locais e de outros estados.
Um show da Móveis Coloniais de Acaju sozinha consegue atrair mais público em Brasília do que pequenos festivais com três ou quatro atrações diferentes. Além dos espaços locais, a banda começa a lutar para conseguir visibilidade em outros estados do país com o apoio da crítica, da imprensa e com o reconhecimento de grandes artistas.
O Elefante Bu conversou com os integrantes Fábio, BC e Borém após o show realizado no CCBB pelo projeto Sons do Planalto.
Confira o zine, anexado a esta notícia.

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