Além dos Três Poderes

Fonte: Guia da Semana | Autor: Humberto Baraldi | Data: 22/11/2006
Palácio do Planalto, Congresso Nacional, Praça dos Três Poderes, Granja do Torto. É fácil caracterizar Brasília, pelo menos, isso é o que a maioria das pessoas pensava. Na cidade que traz as obras faraônicas de Oscar Niemeyer, não existe apenas concreto, mas também muito suingue. E olha que a palavra não se refere às "farrinhas", feitas por alguns políticos, mas sim diz respeito à música de boa qualidade, ou melhor, bandas que provam para todo o país que os brasilienses sabem fazer melodias com excelência. Além de nomes já conhecidos, como Legião Urbana e Capital Inicial, a terra dos candangos continua lançando novos grupos, como Prot(o), Bois de Gerião, Phonopop e Móveis Coloniais de Acaju, que conquistam todo circuito underground nacional. "Aqui há muita gente que se dedica ao mundo musical. Acho que isso acontece, pois não temos muita opção além disso", brinca André Gonzáles, vocalista da Móveis Coloniais.

No final dos anos 70 e começo dos anos 80, três bandas, oriundas de Brasília, fizeram fama em todo o país. Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude, todas de orientação punk, enlouqueceram os jovens da época e ainda fazem sucesso entre as novas gerações.

Fundada e liderada por Renato Russo, a Legião Urbana nasceu no Lago Norte, conhecido como Colina. O grupo tinha no repertório canções como Música Urbana, Que País É Este, Veraneio Vascaína, Conexão Amazônica e Baader-Meinhof Blues. O primeiro disco do grupo foi "apadrinhado" pela banda carioca Paralamas do Sucesso. Russo participou dos três primeiros LPs e depois deixou o conjunto, alegando desentendimentos. O fim da Legião aconteceu em 22 de outubro de 1996, onze dias após a morte de seu fundador.

O Capital Inicial foi formado em 1982, por três jovens da capital federal: os irmãos Fê e Flávio Lemos (bateria e vocal), além do guitarrista Loro Jones. Em 83, Dinho Ouro-Preto assume os vocais da banda. No início eles tocavam apenas em palcos alternativos do rock nacional. Em 84, firmaram o primeiro contrato com uma grande gravadora e dois anos depois lançaram o LP Capital Inicial. Após alguns desentendimentos, Dinho parte para uma carreira solo e o conjunto cai no esquecimento. Em 1998 os quatro integrantes originais decidem voltar e o sucesso bate novamente à porta do Capital.

Formada nos anos 80 por Phillipe Seabra, Gutje, André X e Jander Bilaphra, a Plebe Rude fez parte da turma da Colina, integrada por outras bandas, como Aborto Elétrico (que posteriormente deu origem Capital Inicial e Legião Urbana). O conjunto dissolveu-se na década de 90, voltando a reunir-se em 2000 para gravar um álbum ao vivo, intitulado Enquanto a Trégua Não Vem. Em 2006, com uma nova formação - Philippe Seabra (guitarra e vocal), Clemente (guitarra e vocal), André X (baixo) e Txotxa (bateria) -, o Plebe lançou o álbum R ao Contrário.

Deixando o rock um pouco de lado, o Natiruts apareceu em 1996 com um reggae que garantiu espaço em todo território nacional. A banda brasiliense fez sucesso com a canção Beija-Flor e logo depois com Liberdade Pra Dentro da Cabeça. Hoje, continua fazendo shows por todo o Brasil e países da Europa, com um menor espaço na mídia. "Não ligamos muito em aparecer. Queremos cantar para o nosso público fiel e ainda mostrar que o reggae representa a paz, assim como fazia Bob Marley", explica o vocalista Alexandre Carlo.

Além das já consagradas bandas, Brasília desvenda agora outras pérolas do mundo underground, como por exemplo, a Móveis Coloniais de Acaju. Com o nome baseado em um evento histórico - um conflito na Ilha do Bananal (TO) -, o grupo mescla ska, jazz e samba-rock. Formada por 10 músicos, o conjunto divulga o disco de estréia e já prepara um novo para 2007. "Já fizemos shows ao lado do Charlie Brown Jr, Ultraje a Rigor, Ira. Estamos conquistando nosso espaço", declara o vocalista André Gonzáles.

Outra banda que também ganha espaço é a Prot(o). Formado por Pinduca (guitarra e vocal), Tharsis (guitarra e vocal), Pedro Ivo (baixo e voz) e Cristóvão (bateria), o grupo caracteriza-se por um som meio épico, meio romântico e bastante pop. Este ano, o grupo divulga o segundo disco da carreira.

Com um mix de ska, rock e punk, a Bois de Gerião faz a cabeça dos brasilienses. Em 2001, o grupo gravou o primeiro disco. Uma série de shows pelo Brasil foi iniciada, com destaque para a turnê com a banda Maskavo pelo sul do país em 2003. Dois anos depois veio o segundo álbum, Nunca Mais Monotonia.

Lançados no Porão do Rock, tradicional festival que acontece na terra dos candangos, o Phonopop se tornou uma das mais queridas bandas do público. Com uma mistura de ritmos, o grupo agora viaja por diversos estados com o disco Não Há Tempo. Cada vez mais, Brasília mostra que além dos três poderes, um outro se destaca, o musical.

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