10 homens e um espetáculo

Fonte: Zero Hora | Autor: Gabriel Brust | Data: 12/07/2008
Existem bandas que despertam uma injusta antipatia por causa dos tipos que costumam ser seus fãs. É o caso do Los Hermanos, o grupo mais criativo surgido no país nos últimos anos, mas que tem entre seus admiradores um intragável - e por vezes sectário - exército pseudo intelectual. Caso parecido é o da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju, que se apresenta em Porto Alegre hoje pela primeira vez.

Sabe aquele seu amigo gente boa que adora os timbres do fagote, gosta de discutir o folclore checo e viaja todo ano à Bulgária, para conhecer as últimas da polca local? Aquele que acha o rock tradicional tão careta, saca? Bom, ele vai estar hoje, às 22h, no Porão do Beco (Independência, 936), para conferir a maçaroca de ritmos e instrumentos que os 10 caras da Móveis Coloniais de Acaju apresentam. Mas vale a pena deixar o preconceito de lado e acompanhá-lo. A banda brasiliense traz na bagagem a fama de fazer o melhor e mais divertido show do circuito do rock independente brasileiro na atualidade. Quem viu garante: as 12 canções do disco de estréia, chamado Idem e que teve produção de Rafael Ramos, ficam ainda melhores ao vivo. Um dos fundadores do grupo, Eduardo Borém, responsável pela gaita cromática, pela escaleta e pelos teclados, confirma:

- As composições são as mesmas do disco, os arranjos são muito próximos, mas tenho que admitir que o show é muito diferente. Ele tem um caráter até meio mágico.

Fundada em 1998, a Móveis é formada por gente das mais diversas áreas - tem biólogo, designer, antropólogo, economista e até dois músicos - , que tocava em baile e o que mais aparecesse. Até que foram unidos por Eduardo Borém e André González, o vocalista. A única idéia inicial: abusar dos sopros. E eles são muitos, às vezes lembrando Los Hermanos na sua fase mais ska. De resto, o som é eclético. Mas como fugir da armadilha deste adjetivo, que costuma camuflar um monte de misturebas ruins? Eduardo Borém tenta:

- O ecletismo é resultado da influência de cada integrante. Não foi uma decisão. De certa maneira, é o próprio conceito de ser uma coisa coletiva, em que todo mundo tem voz e os instrumentos de sopro e o vocal têm o mesmo peso.

A noite de hoje terá ainda shows de Walverdes, Império da Lã, Ecos Falsos e Pública. Então ligue para seu amigo checo e, como um bom búlgaro, vá ao Porão sem preconceitos.

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