Móveis Coloniais de Acaju faz primeira turnê pela Europa
Fonte: Abril.com | Autor: Bruno Dias | Data: 30/07/2008
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Após rodar o Brasil tocando em festivais independentes, o grupo brasiliense Móveis Coloniais de Acaju está de malas prontas para sua primeira turnê européia. A banda se apresentará, no dia 16 de agosto, em um dos maiores festivais do mundo, o Pukkelpop Festival, na Bélgica, onde dividirá palco com bandas como Metallica e The Killers. A turnê também passará pela Suíça, Alemanha e República Tcheca.
Quase ao mesmo tempo, o grupo se prepara para entrar em estúdio para gravar o sucessor de “Idem” (2005). O segundo álbum do Móveis, com lançamento previsto para o começo de 2009, será produzido pelo experiente Carlos Eduardo Miranda, que já trabalhou com artistas como Raimundos, Skank, O Rappa e Cansei de Ser Sexy, e atualmente é jurado do programa “Ídolos” do SBT.
Antes de entrar nessa jornada, que inclui shows em Brasília, turnê européia e início das gravações do segundo disco nos estúdios da Trama, em São Paulo, o tecladista e gaiteiro, Eduardo Borém conversou com o Abril.com.
A banda vai começar a gravar o segundo disco, qual a previsão de lançamento? Quando vocês entram em estúdio?Olha, a gente já começou a composição e o trabalho com o [Carlos Eduardo] Miranda, que é o produtor. A perspectiva é de que entremos em estúdio no final de setembro, começo de outubro. Esperamos lançar ele até o início do ano que vem. Vamos gravá-lo em São Paulo, no estúdio da gravadora Trama. Nosso disco vai sair em parceria com a Trama. No formato tradicional e no “Álbum Virtual”.
Vai ter alguma novidade no som da banda?As coisas são muito mais coletivas e menos individuais. Acho que essa é a grande mudança. Porque no primeiro disco, apesar de todo mundo participar muito do processo, ele ainda era muito individual.
O primeiro disco foi produzido pelo Rafael Ramos. Esse segundo vocês optaram por trabalhar com o Miranda. Como rolou essa escolha?Na verdade foi uma escolha meio mútua. Nós nos encontramos em vários dos festivais nos quais tocamos ano passado, e rolou uma empatia muito grande. Ele até falou: “Vocês estão querendo gravar disco? Pô, é um trabalho que eu gostaria de fazer”. E nós já tínhamos pensado nele também. Quando demos o nome para Trama foi ótimo, porque eles já possuem um histórico de trabalho juntos. Foi só juntar a faca e o queijo.
Antes de começar a gravar vocês vão fazer a primeira turnê internacional. Com shows pela Europa, sendo um deles no Pukkelpop Festival, na Bélgica, que terá entre suas atrações bandas como Metallica, Sigür Rós e The Killers. Quantos shows vocês vão fazer por lá?O convite surgiu ano passado no festival Goiânia Noise. Eu e o Fabrício [Ofuji, produtor da banda] passamos a semana anterior ao evento participando de palestras. Lá nós conhecemos Jan, que é o cara do Pukkelpop. Ele viu nosso show e ficou bem animado. Falou que a gente tinha que tocar no palco de música dançante do festival.
Além da Bélgica, vocês tocam em outros países?Apesar de estar na boca do gol, ainda não estamos com todos os shows fechados. A gente tem show confirmado em Basel, na Suíça, e vários shows na Alemanha e um na República Tcheca. Na Alemanha são aproximadamente cinco, ainda não fechamos todos.
Qual a expectativa de vocês para esses shows? Vocês vão dividir palco com Metallica, The Killers...Estamos meio boquiabertos de tocar em um festival de tanto respeito como o Pukkelpop. É meio assustador [risos]. Vai ser o primeiro show da turnê, nosso primeiro show na Europa, e em um festival tão grande.
O som do Móveis é praticamente inclassificável. Como vocês se definiram para as casas de show de lá?A internet que facilitou muito. Nós fizemos um vídeo com os shows do Brasil, então as pessoas viram os shows e ouviram nossa música, passamos a bola pra eles classificarem. Eu acho que entra numa categoria de World Music. Mas nós procuramos ilustrar isso com vídeos e com a nossa música pro cara não contratar nosso show esperando um Olodum, ou um Caetano Veloso.
Durante o festival Porão do Rock, em Brasília, vocês vão se tocar junto com o Gabriel Thomaz, líder do Autoramas, fazendo a leitura do EP “Vai Thomaz no Acaju”. Como vai ser o repertório desse show? Quem teve a idéia de fazer ele no Porão?A idéia de fazer o show no Porão foi tomada conjuntamente entre a banda, o Gabriel e a produção do festival. O Gabriel já estava vindo pra tocar com o Autoramas, então aproveitamos a chance de nos apresentar. O repertório é basicamente músicas do Little Quail & the Mad Birds [banda brasiliense do final dos anos 80, da qual Gabriel fazia parte], Câmbio Negro [grupo de rap brasiliense], e outras músicas de bandas de Brasília, mas não vou divulgar senão estraga a surpresa. Vamos ter participações do TXOTXA, baterista da Plebe Rude, que foi da primeira formação do Maskavo Roots [extinta banda de reggae brasiliense dos anos 90], banda da qual também vamos tocar músicas. O Pinduca, que também foi o Maskavo e atualmente toca no Prot(o), e o Rafael Farret, que é guitarrista e vocalista do Bois de Gerião.
Vocês possuem um projeto aí em Brasília, o “Móveis Convida”. Queria que você falasse um pouco sobre ele. Quando começou? Quem já tocou?O “Móveis convida” começou em 2005, foi uma necessidade que vimos de movimentar um pouco a cena brasiliense de música, principalmente o rock. E também tínhamos uma necessidade muito grande de local pra tocar, pois havíamos chegado num ponto em que nosso público cresceu, e os bares de Brasília eram pequenos e Teatro Nacional era muito grande. A idéia era colocar bandas que estão começando em Brasília pra tocar, e bandas que não são muito conhecidas do grande púbico. Tocaram várias bandas, como o Los Hermanos e Pato Fu, pra citar as maiores. Mas veio Coquetel Acapulco do Rio de Janeiro, Ímpar de Belo Horizonte, Ludov de São Paulo...
Existe a pretensão de transformar ele num festival grande aí de Brasília?Eu acho que não existe a pretensão, mas também não existe impedimento. A próxima edição vai ser agora de 8 a 10 de agosto, vão ser três dias, com várias bandas por dia.
Dessa vez nós vamos fazer no Espaço Cultural Brasil Telecom. E os ingressos foram limitados a 450 pessoas. No nosso último show, que foi com o Pato Fu, tivemos 5 mil pessoas. Muita gente vai ficar de fora, mas é uma forma de não deixar a data passar.
Com quais bandas dessa nova geração vocês se identificam mais?O Prot(o) é uma banda que várias pessoas do Móveis gostam. Eu acho que é uma das melhores bandas do Brasil. Tem o pessoal do Ludov, o Teatro Mágico, nós já tocamos algumas vezes com eles, eu respeito pra caramba. A forma como eles trabalham tem a ensinar para muita gente. Gosto muito do Mombojó, o Beto [flautista do Móveis] também gosta muito. Tem outra que eu adoro que é o Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, de Salvador.