Novo disco do Móveis revigora rock de Brasília
Fonte: Correio Braziliense | Autor: Pedro Brandt | Data: 02/04/2009
Os nove músicos do Móveis comemoram o trabalho com o produtor Miranda e com a gravadora Trama: prévia amanhã no Centro Comunitário da UnB | Foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press
Destino: BrasilPara a banda Móveis Coloniais de Acaju, a 10ª edição do projeto periódico organizado pelo grupo, o Móveis Convida, será mais que mais uma apresentação. O evento, de certa forma, marca nova fase na trajetória dos brasilienses, já que amanhã, ao subirem ao palco do Centro Comunitário da UnB, vão estrear repertório e show. As novidades estão cercadas de expectativas. Afinal de contas, não é de hoje que o Móveis é a banda mais querida de Brasília — e, dentro do circuito independente, uma das que contabilizam maior número de admiradores pelo Brasil.
Nessa nova fase do Móveis, o show de amanhã é apenas a ponta do iceberg. Ainda em abril, C_mpl_te, o segundo disco da banda, será disponibilizado para download (gratuito) no site TramaVirtual. O CD sai um pouco depois, em maio. As 12 faixas do álbum foram registradas por Carlos Eduardo Miranda (produtor das estreias brasilienses de projeção nos anos 1990, caso de Raimundos e Little Quail) nos estúdios da gravadora paulistana Trama. “Nos encontramos em diversos festivais nos últimos anos. Mas foi na edição de 2007 do Se Rasgum (Belém) que conversamos a sério sobre ele produzir o disco”, lembra o flautista Beto Mejía. “Ele até sugeriu que gravássemos com vários produtores, mas isso ficaria complicado por uma questão de logística. Além disso, o disco ainda não estava formatado”, continua. Para o tecladista Eduardo Borém, a opção de somente um produtor foi também uma questão de foco. “Não somos uma banda conhecida no Brasil todo, de cabo a rabo. Nem mesmo em Brasília, que é a nossa cidade. Então, a ideia para esse segundo disco era reforçar o som da banda.”
Miranda veio várias vezes a Brasília para acompanhar ensaios e conhecer as músicas. Entre maio e outubro do ano passado, o produtor gaúcho e a banda brasiliense se concentraram na pré-produção — para só depois ir a São Paulo gravar. “Segundo Miranda, tínhamos um repertório, não um álbum. E ele propôs um conceito, mas não como algo impositivo”, conta o baixista Fábio Pedroza. “Ele ouvia as músicas e dizia ‘essa não cabe’, ‘essa aí é outra onda, para o próximo disco, não pra esse’”, comenta Beto. “Se não gostava de um arranjo, ele não dizia como ficaria melhor, falava pra gente: ‘Se vira, tem que ficar bom’. E buscávamos novas soluções nos ensaios”, relata o vocalista André Gonzales. “Isso, aliás, tem a ver com o título do disco”, diz o baixista. “O Miranda é um grande ‘botador de pilha’, o astral era melhor quando ele estava no estúdio”, avalia o trombonista Xande Bursztyn.
Das 20 músicas (algumas prontas, outras ainda rascunhos) que o Móveis tinha como candidatas ao disco, três eram conhecidas dos shows: Lista de casamento, Cheia de manha e Sem palavras. A elas se juntaram composições recentes — muitas refletindo a passagem da banda pela Europa (em agosto de 2008, eles tocaram na Bélgica, Alemanha, Suíça e República Tcheca). “Respiramos novos ares e voltamos com outras influências. Não necessariamente no som, mas nas ideias”, explica o saxofonista Esdras Nogueira.
Idem, a estreia do Móveis (CD de 2005), foi lançada por eles mesmos. C_mpl_te sai pela Trama. A liberdade artística e a autonomia foram fundamentais para que a banda escolhesse a nova “casa”. “Tanto é que o João (Marcello Bôscoli, dono da Trama) não se incomodou que colocássemos os vídeos com as músicas novas no nosso site (www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br) antes do lançamento”, comenta o produtor Fabrício Ofuji, o “décimo” Móveis. “Eles tiveram a sacação de ver como a gente trabalha e confiaram — o que, pra nós, foi muito legal”, comemora o saxofonista Paulo Rogério.
Com a possibilidade de o Móveis crescer mais, será que Brasília ficará muito pequena para o grupo? Se depender deles, a banda continua na cidade. “Queremos trabalhar o pró-ativismo cultural fazendo coisas aqui”, diz Fabrício. “Sabemos que, hoje em dia, dá pra ficar com um pé aqui e o outro em São Paulo, por exemplo. Gostamos de ser associados a Brasília”, defende Esdras.
Por conta do patrocínio da Brasiliatur, obtido semana passada, a banda conseguiu fazer com que a entrada para o Móveis Convida seja gratuita (mediante retirada prévia de ingressos). O projeto, cuja proposta é trazer para Brasília bandas de outros estados que dificilmente tocariam na cidade (ou que já estiveram por aqui, mas ainda são pouco conhecidas pelo público local) recebe desta vez o rock instrumental dos cuiabanos do Macaco Bong, o garage hard-rock dos goianos do Black Drawing Chalks e o hardcore incendiário dos brasilienses do Galinha Preta.