Crítica C_MPL_TE | Los Hermanos que se cuidem
Fonte: Gazeta do Povo | Autor: Cristiano Castilho | Data: 24/05/2009
O que uma big band de ska – ou seria rock, punk, polca? – que já conseguiu a fidelidade de seus inúmeros fãs pretende com um segundo disco? Confirmar que, com as ferramentas certas – inclua-se aí o produtor Carlos Eduardo Miranda – além de insuperáveis shows ao vivo, esses nove músicos são capazes de gravar um disco imponente e original que já figura entre os melhores álbuns da música pop brasileira neste ano.
Em relação a Idem, o trabalho anterior, C_mpl_te traz um Móveis Coloniais de Acaju mais enxuto. É como se a banda tivesse passado por uma “secadora de exageros instrumentais”. Vale lembrar que são nove integrantes que brincam com flautas, gaitas, teclados, dois saxofones, trombone, além do tripé rock de bateria, baixo e guitarra.
O trabalho de produção serviu também para evidenciar ainda mais as influências dos brasilienses. Linhas de guitarras – antes oprimidas – ganharam espaço para soarem livres como na quase balada “Adeus”, faixa que abre a dúzia de músicas. Os metais que quase sempre conduzem ao Leste Europeu – por isso, em parte, a descrição “feijoada búlgara” – ganharam linhas melódicas mais definidas e importância nas composições.
As letras, colaborações de todos os nove, carregam divertida ironia, algo bastante presente também no primeiro disco. Em “Cheia de Manha”, a densa voz de André canta “Mamãe te disse que tu tinha o dom/ já imitava Sandy sem perder o tom”. Outros temas aparecem mais de uma vez. A correria diária surge em “O Tempo”, talvez a melhor do disco (“Sua avó gosta de ouvir você dizer que vai fazer o tempo engatinhar/ do jeito que eu sempre quis/ se não for devagar/ que ao menos seja eterno assim”) e na quase charleston “Pra Manter ou Mudar (A do Piano)” (“Tudo que eu queria enxergar já foi visto por alguém”). Ainda há negociações possíveis com o new rock em “Indiferença” e várias outras pitadas instrumentais que temperam tanto o jazz quanto a MPB.
Superado o peso inicial de ser independente, o grupo está agora com seus 18 olhos voltados para o vazio deixado pelo Los Hermanos. O título de “banda queridinha do Brasil” já pode pode passar dos cariocas aos brasilienses. Com todos os louvores.