Guitarra, bateria, metais e internet

Fonte: O Estado de São Paulo | Autor: Rodrigo Martins | Data: 08/06/2009
foto do dia

Título da matéria original

Eles sempre foram uma banda independente, conhecida por defender o "faça você mesmo" na internet e por deixar o download de suas músicas correr solto. Só que agora resolveram lançar um trabalho numa gravadora, com estrutura, equipe de marketing, assessoria de imprensa, etc., etc. Contraditório? Traíram o movimento, como muita gente diz por aí?

Não é o que afirmam. Brasiliense, a numerosa banda Móveis Coloniais de Acaju - são nove músicos - não mudou o seu discurso de 11 anos atrás, quando começou. Nascido numa geração de músicos que já encontrou a indústria musical em queda livre, o grupo ainda continua a defender os downloads. Assinou com uma gravadora, sim. Só que, mesmo com outras propostas, optou por se associar à Trama, que permite continuar a distribuir música de graça.

Há um mês, está na rede o novo disco deles, o C_mpl_te. Quer dizer, disco ainda não. O grupo lançou um álbum virtual, onde quem paga a conta do download não é o consumidor, mas um patrocinador. O CD físico deve vir em breve.

"Acreditamos na música gratuita. Escolhemos uma gravadora ligada à realidade atual", diz o vocalista, André Gonzales, de 26 anos.
Aí o discurso começa a fazer sentido. A atual discussão de se os artistas devem ou não disponibilizar músicas, se as gravadoras devem processar quem baixa, etc., não faz mais sentido para o Móveis. "São coisas que não conversamos mais. Disponibilizar as músicas é um conceito que já temos na banda, necessário para o nosso próprio funcionamento", afirma o saxofonista, Esdras Nogueira, de 30 anos.

À primeira vista, a afirmação pode parecer um tanto oportunista, já que é hype hoje defender a cultura livre. Só que a banda brasiliense sentiu na pele o que a divulgação na internet pode trazer antes mesmo da popularização no Brasil de redes sociais musicais como MySpace e Last.fm.

Os garotos têm site desde 2001, que era hospedado no Geocities. Em 2003, conseguiram grana para um domínio próprio e estrearam blog.

E aí disponibilizaram a primeira música. "Não tinha banda larga. Demorava dois dias para baixar", brinca Eduardo Borém, de 27 anos, tecladista e " cara da internet" da banda.

Foi em 2005, entretanto, que veio o estalo. O Móveis lançou o primeiro disco, Idem. E daí nasceu o dilema: colocar ou não as músicas de graça na internet? "Pensamos em colocar trechos, só para streaming... Por fim liberamos", diz Eduardo. E foi aí que rolou. "Descobrimos que, ao contrário do que muitos pregavam, disponibilizar as músicas na internet ajuda a vender discos."

Como? Muito simples. Até então, o Móveis era uma banda conhecida em Brasília e que fazia shows na cidade. Uma vez que a internet não tem limites, o trabalho deles pôde chegar a outros cantos do País e do mundo.

"Na primeira vez que fomos tocar em Belém (no Pará), o nosso único poder de mídia era a rede. E a galera cantava as nossas músicas lá, muita gente comprou o disco no show", diz André. "Vimos que, à medida em que mais pessoas nos viam na web, mais ficávamos conhecidos e mais vendíamos", explica. "E, ao mesmo tempo, conseguíamos tocar em lugares fora de Brasília", complementa Esdras.

Logo depois disso veio a fase das redes sociais, que explodiram. Se já estavam na rede, porque não se jogar em Orkut, MySpace, Last.fm, Trama Virtual, YouTube e até Twitter? "Essa é uma característica da banda. Não estamos em um pedestal. Fazemos música para dialogar, conversamos com o público, respondemos a eles", diz André.

Para tanto, os nove integrantes, além de músicos, também se vestem de produtores de conteúdo. Como uma banda com um certo sucesso, mas ainda em busca de espaço, não têm ainda equipe para cuidar das iniciativas online. Ou seja, são eles próprios que atualizam tudo.

"Todo mundo é meio nerd. A gente filma e coloca no YouTube. Eu faço pelo menos duas fotos por show, mesmo que fiquem ruinzinhas", explica Eduardo. "Acreditamos nessa proximidade com o público. Nosso trabalho é como o de padeiros. Minha mãe compra pão bem longe de casa só porque gosta de uma padaria. Queremos que, com a gente, seja a mesma coisa."

No meio desse conteúdo que produzem, aproveitam para testar a recepção do público. Antes de lançar o último álbum, filmaram a execução das faixas ao vivo e postaram no YouTube para os internautas conhecerem e opinarem. E o próprio público também faz a divulgação. "As redes permitem o boca a boca. Uma pessoa indicando você para um amigo vale mais do que um banner", diz Eduardo.

Embora se destaque na multidão, entretanto, o Móveis sabe que não é exceção. No MySpace há milhões de bandas como eles que liberam o download e buscam um lugar. "Nós somos da geração de bandas que nasceu num momento transitório. Como muitos, nos apoiamos na internet, vimos que as pessoas querem o download gratuito. Ganhamos dinheiro não com CD, mas com show. A indústria musical ainda vai perceber isso", conclui André.

Saiba mais

Matéria Original

Compartilhar em comunidades, enviar por email, etc. Compartilhar esta página...

Boletim Notícias Móveis

Nome

Email
Assine nosso boletim de notícias e saiba tudo o que acontece com os Móveis.

Download do Complete no Ãlbum Virtual

Notícias relacionadas

Faça sua música se destacar no celeiro da web Link | 12/05/2008

Outros estilos ainda buscam espaço Link | 12/05/2008

Eles estão ainda mais completos que nunca Estado de Minas | 07/05/2009

VMB é um déjà-vu em banho-maria Estado de São Paulo | 02/10/2009


Logotipo Móveis Coloniais de Acaju