Movéis Coloniais de Acaju é pura festa

Fonte: Jornal do Commercio | Autor: Fellipe Fernandes | Data: 26/07/2009

Em 2005, Móveis Coloniais de Acaju precisava fazer um show para apresentar as músicas de seu primeiro álbum. Ao invés de montar uma apresentação, o grupo fez um festival. A criação do Móveis convida dá um exemplo do espírito empreendedor da banda braziliense, que lança o segundo CD no Recife no próximo sábado (dia 1º), no Mercado Eufrásio Barbosa. C_mpl_te (leia-se Complete) foi construído de maneira coletiva: cada um dos nove integrantes (não se assuste com o tamanho) participaram da composição das músicas, da concepção do design e da própria produção.

Quando a reportagem do JC ligou para fazer a entrevista com os músicos, do outro lado da linha uma voz atendeu: “Móveis Coloniais de Acaju, Paulo, boa tarde.” Após onze anos de carreira, em 2009 a Móveis tornou-se uma empresa. “Chegamos ao ponto que tínhamos que fazer uma empresa, não só para a banda se tornar viável financeiramente, mas para que todos pudessem se sustentar com a banda apenas. Então transformamos o que poderia ser um problema, o grande número de participantes, em vantagem. Temos músicos qualificados para trabalhar com arte, projetos e coisas do tipo,” explica Paulo Rogério, que toca o sax tenor. “As coisas para gente sempre foram acontecendo por necessidade,” completa. Dessa forma, o indie foi institucionalizado.

O segundo álbum chega no momento dessa nova empreitada. Com produção de Carlos Eduardo Miranda, o CD foi lançado pela Trama e reflete uma certa mudança de visão. A “feijoada búlgara” – termo criado pelos músicos para classificar o tipo de som que eles produzem (“uma mistura de ska, samba e ritmos do leste europeu,” detalha Paulo) – está mais homogênea, mais diluída. Isso, contudo, não diminui sua qualidade e pode, inclusive, aumentar o seu potencial. “Para esse CD a gente correu atrás de uma identidade mais forte, com mais unidade e com as referências e influências mais diluídas,” conta André González, o vocalista.

De fato, há uma unidade presente desde Adeus até Indiferença, última faixa do CD. Mas isso se dá mais pelo próprio espírito e proposta da banda que por qualquer outro fator. C_mpl_te é claro: gaita, guitarra, sax, trombone, teclado, baixo e flauta estão ali para fazer você dançar. Baladas com refrões marcantes e letras simples, mas bem humoradas (do tipo “Mamãe te disse que tu tinha o dom, já imitava a Sandy sem perder o tom. Cantou, dançou, ganhou no Raul Gil. Naturalmente, namoradinha do Brasil” – trecho de Cheia de manha), funcionam bem.

Presente no último Abril pro Rock, a energética performance da banda foi bastante comentada. “A gente pensa muito na relação com a platéia e nessa relação coletiva. Tudo o que a gente faz é para se aproximar de fato do público da forma mais verdadeira e sincera possível ,” esclarece André.

Próximo sábado, Móveis divide a festa, a partir das 22h, com a banda Eddie. Os ingressos custam R$ 40, R$ 20 (meia) e R$ 30 mais 1 kg de alimento não perecível e já estão à venda na loja Avesso da Avenida Rui Barbosa (informações: 3301-7692). Cantando em casa, os olindenses da Eddie costumam fazer do Eufrásio Barbosa um grande carnaval ao som de rock. Resta esperar para comprovar se os metais, sopros e cordas brazilienses irão conseguir estabelecer a mesma relação com os pernambucanos. Se depender do repertório, baseado no novo CD, não faltarão acordes para pular.

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Matéria Original : Jornal do Commercio

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