Balanço da festa

Fonte: Correio Braziliense | Autor: da Redação | Data: 12/07/2005
ALTOS

Protestos

Sintonizadas com as notícias de corrupção no governo, bandas escaladas pelo Porão não ficaram caladas: usaram o microfone para fazer protesto e injetar indignação no rock. O momento de maior impacto do festival foi o discurso de Marcelo Yuka, ex-baterista d O Rappa (e agora com o projeto F.UR.T.O.), que pediu um minuto de silêncio pela ética na política. Grupos como Plebe Rude, Dead Fish e Ratos de Porão também fizeram barulho.

Revelações

O maior diferencial do Porão do Rock continua a ser o de colocar em evidência bandas do cenário do rock independente brasileiro. Neste ano, os  pequenos tiveram exatamente o mesmo espaço dos grupos que lançam discos por gravadoras maiores. Para o público, foi a chance de descobrir revelações como a paulista Luxúria, a pernambucana Astronautas e as brasilienses Móveis Coloniais de Acaju e Cadabra.

Estrutura

O investimento mais alto na edição deste ano estava ali, aos olhos do público: a estrutura do festival melhorou. Os dois palcos receberam o mesmo tratamento da produção  com camarote VIP espaçoso entre eles  e a tenda eletrônica foi armada com distância dos shows para evitar disputa de ruídos. Praça de alimentação e estandes também funcionaram sem confusões.

Tenda eletrônica

Não importava se o momento era de muito frio ou qual era o nome do DJ que comandava as picapes. Nos três dias de Porão, a tenda eletrônica confirmou que é uma das grandes atrações do evento. A boa novidade ficou por conta da sexta-feira, dedicada aos DJs de rock  a aposta da organização deu certo e serviu de contraponto ao reinado do heavy metal na primeira noite do festival.



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E BAIXOS

Atrasos

Já é tradicional no Porão: os shows começam sempre com, no mínimo, uma hora de atraso. Sexta-feira, a estrutura do espaço ainda recebia os últimos reparos por volta das 19h (quando o primeiro show deveria estar entrando no palco). Sábado e domingo, músicos faziam passagem de som quando os portões já deveriam estar abertos. Resultado? Shows que terminaram às 4h, às 5h do dia seguinte.

Ingresso

De R$ 10 para R$ 20, a meia-entrada. Do ano passado para cá, o Porão aumentou um dia de shows e inflacionou o ingresso em 100%. Para um evento que começou com entrada franca, a mudança parece exagerada. O público não gostou. Na noite de heavy metal, a insatisfação era geral. Muita gente saiu de longe (Cidade Ocidental, Novo Gama) para assistir às bandas favoritas  e o custo da diversão ficou alto.

Falhas no som

Apesar do capricho na decoração dos dois palcos, muita banda reclamou de falhas no som. No show do F.UR.T.O., Marcelo Yuka chegou a derrubar os equipamentos no chão, irritado. No início de muitas apresentações, era como se os músicos fizessem passagem de som diante de platéia. Plebe Rude, Violins e Pato Fu foram apenas alguns que sofreram com problemas técnicos.

Maratona

Adicionar um dia na programação não ajudou a aliviar um dos maiores desafios para o público do Porão: o de enfrentar uma maratona de oito, nove horas de shows por noite. A overdose de rock prejudica as atrações que se apresentam por último. Debaixo de frio, os shows do Ratos de Porão e do Dead Fish renderam menos que o esperado. E pouca gente viu.

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