Correio da Bahia | 12-07-2005 | Brasília em chamas: A oitava edição do Festival Porão do Rock foi um sucesso

Fonte: Correio da Bahia | Autor: | Data: 12/07/2005
Hagamenon Brito, Correio da Bahia - O concreto já rachou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT. Ambos na UTI política. Mas se o assunto é roquenrou, a capital federal tem o que comemorar nesses dias de ar seco e noites com temperatura média de dez graus: a oitava edição do Festival Porão do Rock foi um sucesso.

De sexta-feira a anteontem, o evento reuniu 35 bandas de todo o país em shows realizados no estacionamento do Estádio Mané Garrincha, com público total de 65 mil pessoas (a maioria, de sobretudos e casacos pretos, piercings, tatuagens, etc), certa marola de marijuana no ar e nenhum incidente sério na multidão.

O Porão do Rock é uma espécie de mix de Abril Pro Rock (Pernambuco) e Goiânia Noise (Goiás), os dois outros eventos indies mais significativos do pop rock brasileiro, mas com uma infra-estutura já de mainstream. A boa qualidade dos dois palcos, armados um ao lado do outro e com os mesmos recursos, que o diga.

O melhor concerto dentre os artistas headliners foi o do grupo mineiro Pato Fu, anteontem, com o seu pop rock criativo e vigoroso e suave ao mesmo tempo. Por ser um show de festival, quando o público sempre está mais predisposto a ouvir hits, o PF dosou sucessos antigos com canções do recém-lançado CD Toda cura para todo mal.

Pérolas dos primeiros álbuns do grupo, como Unimed ("Essa é para os iniciados", avisou a vocalista Fernanda Takai) e Gol de quem?, se misturaram com as novíssimas Estudar pra quê (ironia esperta com a geração internet) e Anormal. Homenageando o velho Arnaldo Baptista, o ex-Mutantes produzido em 2004 pelo guitarrista John Ulhoa, o PF tocou Ando meio desligado.

Os outros dois cachorros grandes de domingo foram Los Hermanos e Barão Vermelho. Preparando novo álbum, os Los Hermanos apresentaram um show mais que conhecido. O ar de déjà vu, porém, não foi problema algum para a multidão receptiva a cantar O vencedor, Todo Carnaval tem seu fim, Último romance, Cara estranho...

Capone e Brazza - Liderado por Frejat, o Barão mostrou a competência habitual. A banda é um clássico que satisfaz. Frejat também comandou a jam session final em homenagem ao produtor Tom Capone, morto em 2004 num acidente de trânsito em Los Angeles. Catarinense de nascimento e brasiliense de formação, tendo participado do grupo Peter Perfeito, Tom foi reverenciado por amigos como Wagner Vianna e a viúva baiana Constança Scofield (ex-Penélope).

O Porão do Rock homenageou Capone ainda dando o nome do artista a um dos palcos. O outro palco se chamou Brazza, reverenciando o cineasta trash Afonso Brazza, vítima de câncer em 2003. Em parceria com a Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo (ABCV), o evento fez campanha de arrecadação de recursos para tentar finalizar o último filme de Brazza, Fuga sem destino.

A Bahia foi representada no festival por Pitty e Cascadura. A cantora, prestes a lançar novo CD (leia boxe), se apresentou no sábado e foi um dos artistas mais assediados do Porão do Rock. Na verdade, a noite foi dela, ainda que tenha feito o show que está na estrada há dois anos - ou seja, mais que batido.

Garota revelação - Cascadura, agora radicado em São Paulo, tocou anteontem para uma platéia que não conhecia suas músicas (entre elas, a muito boa Queda livre), e isso atrapalha a dinâmica de qualquer concerto de rock, a não ser, talvez, que a banda possua um vocalista de performance explosiva, carismática mesmo.

A atuação incendiária e sexy de Marjorie Stock, por exemplo, à frente do Luxúria, no sábado, transformou a banda paulista na revelação do Porão do Rock 2005. Musicalmente, o Luxúria ainda procura certa identidade ao mesclar letras irreverentes e influências dos anos 80 e do punk rock. Quem faz a diferença é Meg ("Sou influenciada por Madonna e Courtney Love", declarou na entrevista coletiva), cantando bem e sem medo de ser sensualmente forte dentro de um vestido colado ao corpo.

Formada por ex-integrantes de bandas da cena indie de São Paulo, a Luxúria (ex-Boneca Inflável) ainda está gravando seu primeiro CD e é empresariada por Marcelo Lobato, o manager de Marcelo D2 e Pitty. Ou seja, Meg e Luxúria têm boas chances de vir a emplacar.

A cena local, desta vez, não apresentou nada de interessante, exceto Móveis Coloniais de Acaju (domingo), que está lançando seu disco de estréia, Idem. A Plebe Rude de Philippe Seabra, agora com Clemente (ex-Inocentes) na guitarra, foi quem melhor traduziu o espírito roqueiro da cidade. No caso da Plebe, um espírito bem anos 80, é vero, mas que ainda funciona para os fãs

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