Dynamite | 15-07-2005 | Zapn Roll
Fonte: Dynamite | Autor: | Data: 16/07/2005
Humberto Finatti, Dynamite - A coluna entra no ar esta semana justamente naquela que foi a data escolhida pela ONU para "homenagear" o estilo musical mais popular do século passado (e que, pelo jeito, vai continuar sendo neste também): 13 de julho. Essa história, Zapnroll bem se lembra, começou há quase vinte anos. Mais precisamente em 1988, quando foi comemorado o primeiro Dia Mundial do Rock, então recém-criado. Naquela época, o autor deste espaço rocker virtual semanal trabalhava como repórter no caderno de variedades do diário paulistano Jornal Da Tarde. E foi cobrir um grande festival no sábado à noite, na zona leste paulistana (onde tocaram na época, entre outros, Ira!, Violeta de Outono, 365, Inocentes e Cólera, todos então no auge de suas carreiras), que foi o primeiro evento a comemorar o dia do rock. Enfim, dezessete anos se passaram e a opinião deste colunista não mudou de lá pra cá. Essa história de se comemorar um dia específico para o rocknroll é uma grande, enoooorme bobagem. Como toda data comemorativa, aliás (dia dos pais, das mães, dos avós, do tio, Páscoa, Natal, todas datas excelentes, ótimas desculpas para o capitalismo selvagem faturar alguns milhões a mais). Rock é algo que está incrustado no âmago da alma de quem o curte; é, mesmo, um estilo de vida, de comportamento e cultura. Portanto, deve ser vivido intensamente todos os dias de nossas vidas e não apenas em uma data específica. Por isso, a coluna abomina o dia mundial do rock, como abomina outras datas festivais e meramente mercantilistas. O grande rocknroll, seja ele de ontem, de hoje ou de amanhã, está aí para ser curtido e apreciado todos os dias do ano. Ele acontece todos os dias, todas as semanas (senão, este espaço virtual inclusive não teria razão para existir). Acontece sempre. Como aconteceu em Brasília, no último final de semana, quando rolou mais uma edição do mega festival Porão do Rock. E onde Zapnroll esteve, para ver tudo de perto e contar logo abaixo para seus diletos leitores.
BRASÍLIA 40 GRAUS
Sim, a capital do País ferveu no último final de semana, quando por lá rolou a oitava edição do festival Porão do Rock. Foram três noites (sexta, sábado e domingo) em que 35 bandas se apresentaram em dois palcos enormes e para um público total estimado em 80 mil pessoas (!). A convite da produção do evento, Zapnroll esteve lá e acompanhou tudo in loco. Chegou a Brasília logo no início da tarde de sexta-feira (quando fazia até um calor aprazível na cidade) e após um rápido descanso no hotel, já se mandou para o estacionamento do estádio Mané Garrincha (que ficou famoso no final da década de 80 quando, durante um show da Legião Urbana, houve um tumulto monumental por lá, que resultou em mais de 400 pessoas feridas), onde estava montada uma autêntica mini "cidade do rock".
E a coluna ficou bastante impressionada com o que viu. Dois palcos gigantes (e de tamanho rigorosamente igual entre si), bom equipamento de som e luz, backstage com camarins bem montados e sala de imprensa com terminais de computador conectados o tempo todo com a internet, além de uma tela de plasma para acompanhar os shows por ali mesmo. Também havia outra sala para entrevistas coletivas com os artistas participantes do evento (entrevistas que eram realizadas antes ou depois de cada show) e uma equipe de produção e de assessoria de imprensa super atenta, simpática e solícita com todos os jornalistas que estavam lá participando da cobertura do festival. Não foi à toa que um representante de uma gravadora semi-independente de São Paulo comentou com Zapnroll, a certa altura da madrugada de domingo: "nem a Warpped Tour que é realizada nos Estados Unidos possui uma estrutura dessas". Assim, a conclusão a que se chega é óbvia: a cena independente tomou mesmo conta do rock brasileiro. E está espalhada pelo País afora, está descentralizada do eterno eixo São Paulo-Rio. O Porão do Rock fez jus, em sua oitava edição, à sua auto-denominação de "o maior festival independente de pop/rock do Brasil". Sim, havia artistas consagrados e pertencentes à majors da indústria do disco tocando lá, como os headliners Pato Fu, Los Hermanos e Barão Vermelho. Mas o show que mais incendiou o público foi de uma artista que, apesar de estar vendendo horrores, ainda é independente (a linda e ótima Pitty). E quase todas as bandas alternativas que se apresentaram nos dois palcos arrancaram aplausos entusiasmados da platéia.
Enfim, foi um final de semana magnífico para o rocknroll de alta qualidade feito no Brasil. E que fez Brasília ferver, apesar do frio terrible que cortou impiedosamente todas as noites do festival. Um festival que você fica sabendo em detalhes logo abaixo, com a reprodução dos textos diários sobre os shows e que já foram publicados na página de notícias do site. Além destes textos, também há uma seleta notas de bastidores, sobre tudo o que rolou de curioso e engraçado nas internas do Porão do Rock. Divirtam-se, crianças!
PORÃO DO ROCK - PRIMEIRA NOITE
Existe uma lenda de que Brasília é uma cidade fria, em todos os sentidos. Fria por ter sido totalmente planejada (pelo arquiteto Oscar Niemeyer), fria pela sua arquitetura "funcional" e futurista, fria pelas amplas e intermináveis avenidas (e onde não existem cruzamentos), fria enfim por abrigar o centro do poder político brasileiro. Isso criou a mística de que a população candanga se compraz em uma aparente frieza no comportamento social e no tratamento dispensado a quem visita a cidade. Afinal, o fogo já arde o suficiente pelos lados da política e do Congresso Nacional, e isso cotidianamente. Pois bem: a reportagem da Dynamite, desde sexta-feira à tarde na Capital Federal, desmentiu parte desta lenda. Atenciosamente recebida pela equipe de imprensa e produção da oitava edição do festival Porão do Rock, encontrou uma cidade de clima aprazível (no meio da tarde, os termômetros chegaram a marcar 26 graus; já à noite, a coisa despencou para 13 graus, uma queda que pegou este repórter desprevenido, pois ele insistiu em ir para a cobertura da noite inaugural do evento apenas com camiseta de mangas compridas, bermuda e coturno. Não deu outra: teve que se aquecer a madrugada toda se entupindo de vodka e energético) e população hospitaleira. E, se nestes dias de julho a cidade ferve sob o peso do escândalo do "mensalão" (termo que já está definitivamente incorporado ao vocabulário cotidiano daqui e do resto do País), na primeira noite do Porão do Rock, uma molecada quente e ávida por rock, invadiu o estacionamento do estádio Mané Garrincha.
Foi a noite do heavy metal e do hardcore, com tudo de bom e de ruim que os dois estilos abrigam em si. Ruim porque, quando nos deparamos com o metal sempre igual, repetitivo e anacrônico (porque não aceita modernização e renovação em sua estrutura musical) de bandas como Dynahead (de Brasília mesmo) ou Drowned (veteranos do circuito heavy mineiro), constatamos mais uma vez que o metal é um estilo que, quando não se abre à renovação, é muito chato, chato de doer. Os mesmos clichês, a mesma bateria cavalar, os mesmos gritos guturais graves (no caso do Drowned) ou agudíssimos e agônicos (aí, já na área do infame metal melódico de Shaaman e derivados). Diante de um panorama desses, quase ninguém se importou com o fato de o Dynahead ter massacrado o fantástico REM com uma cover horrenda e pesadíssima para o clássico "Losing My Religion". Ok, a intenção deve ter sido a melhor possível. Mas, como já disse o outro milhões de vezes, de ótimas intenções o inferno está lotado, não cabe mais nenhuma.
E bom porque o mesmo metal chato e velhusco deu, enfim, mostras de sua força e do que é capaz, quanto tocado e tratado como merece. Querem um exemplo? A sensação da noite foi, sem dúvida alguma, o hilário quinteto Massacration, a auto-intitulada "maior banda de metal do mundo" atualmente. O Massacration, todo mundo sabe, é a banda de metal fake criada pelos ótimos integrantes do programa humorístico "Hermes & Renato" (o preferido deste repórter hoje em dia na tv), que é veiculado na MTV. Pois o que era para ser uma piada descompromissada para sacanear com todos aqueles clichês babacas que povoam o mundo do metal, está se tornando algo absurdamente sério e profissional. Abusando de calças apertadíssimas de couro, correntes, enoooormes cabeleiras postiças e bordões como "nós somos o verdadeiro metal", a banda levou a molecada ao delírio, que já berra a plenos pulmões nos shows músicas hilárias, canastronas e sacaníssimas e que já se tornaram hits, como "Metal Bucetation" ou "Aruê Aruô". Por que a banda está dando certo? Porque ela não se leva a sério de maneira alguma, mostra que o heavy metal é, no final das contas, uma grande piada e seu público, que antes ficava indignado com a piada "ofensiva" ao metal, enfim sacou a idéia e a lógica do grupo e embarcou na onda, se dando conta de que não dá mesmo pra levar o heavy metal a sério. Não é à toa, inclusive, que o Massacration descolou um contrato com o selo carioca Deckdisc, que irá lançar o primeiro cd do quinteto em outubro.
Mas há quem trate o gênero ainda com reverência e seriedade. Como o Shaaman, por exemplo. O grupo liderado por André Mattos, ex-vocalista do Angra, entrou em cena logo após o Massacration e pegou o pico de público da primeira noite do Porão do Rock, quando o número de pagantes bateu em 20 mil pessoas. E a maioria desse número estava ali para ver o chato e enfadonho, porém extremamente bem tocado e competente metal melódico que é a profissão de fé da banda. E neste aspecto o Shaaman continua dando show de bola, com os vocais impecáveis de Mattos e os solos virtuosos de guitarra e teclados. Depois, ainda no terreno do metal, o veterano trio paulistano Dr. Sin viu boa parte de seu repertório ser cantado pelo público. Tal qual o Shaaman, o Dr. Sin tem a vantagem de possuir três feras no line up do grupo (comandado pelos lendários irmãos Andria e Ivan Busic, além de contar com o guitarrista Eduardo Ardanuy), o que garante a ótima performance ao vivo. Menos mal, porque torna seu metal mais deglutível.
E o hardcore da primeira noite? Entre bandas também anacrônicas (como a veterana DFC, mas que por ser de Brasília, empolgou o público presente) e outras que procuram atualizar seu som (Slug e Deceivers), a grande estrela da primeira noite do festival foi mais uma vez o quarteto Ratos De Porão. Subiram ao palco quando já eram mais de três horas da manhã e levantaram que ainda resistia na gélida madrugada que imperava no estacionamento do Mané Garrincha. Sim, o RDP também já é velho, tem mais de vinte anos, mas seu som continua uma cacetada e exibe o frescor das bandas formadas por moleques famintos de dezoito anos de idade. Mandando bala em sua já consagrada fórmula que mixa hardcore e metal brutal, João Gordo atacou sem dó com cacetadas do naipe de "Agressão, repressão" (onde ele lembrou do episódio ocorrido esta semana em Diadema, quando um pm matou a tiros em uma favela da cidade uma mãe e seus dois filhos), "Velhos decrépitus", "Caos" e "FMI". O hino "Crucificados pelo sistema" foi dedicado ao governo Lula e tudo terminou, como sempre, com "Beber até morrer". Perfeito.
Foi uma noite, enfim, de perfeições e imperfeições musicais em um festival que está exibindo uma estrutura operacional e logística invejáveis (dois palcos enormes e de tamanho rigorosamente igual entre si, ambos emoldurados por enormes telões circulares; som de boa qualidade e iluminação idem) para um evento quase que exclusivamente voltado para a cena musical independente. E hoje, sábado, a noite promete ser mais quente ainda, com as aguardadíssimas apresentações dos veteranos da Plebe Rude e mais o punk poético do Pelebrói Não Sei? (de Curitiba), e mais F.UR.T.O, Astronautas, Pitty, Dead Fish etc. Ou seja: rock do bom e do melhor para todos os gostos e tribos. Depois, a gente conta amanhã por aqui como foi.
PORÃO DO ROCK - SEGUNDA NOITE
Foi uma noite e tanto. E eminentemente política, muito política. Com discursos irados, inflamados contra o estado de coisas no qual está mergulhada a política brasileira nas últimas semanas, por conta do escândalo do mensalão e, agora, dos dólares achados na cueca do assessor parlamentar do PT. Mas também foi uma noite de muita diversidade musical e da consagração apoteótica e definitiva daquela que é, de fato, a maior estrela feminina do novo rock brasileiro. Quem? Pitty, claro, que está prestes a lançar seu aguardado segundo álbum (intitulado "Anacrônico", e que chega no começo de agosto nas lojas; antes, porém, a primeira faixa de trabalho com o mesmo título e a qual a reportagem da Dynamite teve acesso exclusivo, através de um single cedido pela gravadora Deckdisc, começará a ser executada nas rádios nos próximos dias) e cujo show provocou, literalmente, um tsunami na segunda noite (sábado) do festival Porão do Rock, em Brasília.
Mas antes que Pitty subisse ao palco, o festival começou com o brasiliense Game Over, que atacou com seu nu metal de clara inspiração em Linkin Park. Gurpo bom, musicalmente competente, mas que insiste em um gênero que já está em franca decadência na sua própria matriz. Vai daí que arrancaram aplausos tímidos de um público que ainda estava chegando ao estacionamento do estádio Mané Garrincha. Na seqência, o goiano Valentina começou a encantar a platéia com suas guitarras indie, aceleradas, mas cheias de melodia e apelo power pop, destilando eflúvios guitarrísticos que muito lembraram os shoegazers britânicos do início dos anos 90. Veio o rap metal do Ponto G (ok, engajadinho e tal, com o vocalista já tentando insuflar o público com palavras de ordem contra a corrupão) e, enfim, a primeira grata surpresa d a noite: o quinteto Luxúria. Egresso do interior paulistano e tendo à frente dos vocais a deliciosa Marjorie Stock, o grupo apresentou um rock básico oitentista com pitadas de punk com personalidade e muito bem tocado/ensaiado. Mas o que deixou a marmanjada presente na platéia ensandecida foi mesmo a performance extra very sexy de Meg, que não se cansava de deixar sua calcinha à mostra para o delírio do pessoal que estava na fila do gargarejo.
A partir daí a segunda noite do Porão do Rock começou a pegar fogo e a viver, de fato, fortes emoções. O lendário Plebe Rude subiu ao palco com o público já ganho. Filho ilustre da inesquecível geração brasiliense dos anos 80, a Plebe do novo milênio não declinou um milímetro de sua intensidade na performance de palco. Contando até hoje com Phillipe Seabra nos vocais, André X no baixo e ainda com o atual reforço de Clemente (outra lenda do punk brasileiro e que também continua à frente dos Inocentes) nos vocais e guitarra, a Plebe foi detonando seus clássicos um atrás do outro ("Minha Renda", "A Ida", "Censura", "Jhonny Vai Guerra" e "Brasília", que foi berrada a plenos pulmões pelo público que, a essa altura, já estava gigante). A grande surpresa do show, porém, foi guardada para o final, quando o grupo convidou para o palco, para dividir os vocais de "At quando esperar", ninguém menos do que Yuka, o ex-batera e fundador do Rappa e que dali a pouco também iria se apresentar com sua nova banda, o F.UR.T.O. Ver Yuka (hoje confinado em uma cadeira de rodas em virtude da paralisia nas pernas que lhe foi imposta graças a uma bala disparada contra ele, durante um assalto no Rio há alguns anos, em uma mais uma entre tantas e já banais cenas de violência que se imiscuem sem dó no cotidiano do brasilerio) entoando o refrão "posso te pedir trocados/vigiar seu carro/engraxar seus sapatos?" foi algo muito, muito emocionante e que provocou reflexão e indignação em muitos que estavam ali (como este repórter, por exemplo). Uma indignação e reflexão que foi substituída por expressões de espanto quando o quarteto punk curitibano Pelebrói Não Sei? Subiu ao palco. O vocalista Oneide Dietrich é uma figuraça: eternamente chapado de cerveja, formado em psicologia, Oneide é um autêntico Raimbaud ou Baudelaire do punk brazuca. Suas letras possu em rimas preciosas, sarcásticas e absurdas, radiografando situações cotidianas de desencanto e desamor pelas quais todos nós passamos em algum momento de nossas vidas. Entre uma canção e outra ele pára, tira a camiseta, joga cerveja no público, faz pose de sexy boy. E termina com a hilária e escrachada "O dotadão", composta pelo extinto grupo gaúcho Cascavelettes, gravada pelo redivivo DeFalla e, segundo o próprio Oneide, "dedicada a mim". Podem ter certeza: o Pelebrói é, neste momento, um dos melhores grupos do novo punk rock brasileiro, um estilo também datado mas que, quando tratado com bom humor e inteligêcia (como no caso do grupo curitibano), ainda pode revelar boas surpresas ao vivo e em estúdio. Na seqência, os grupos locais Zamaster, Sentupé e Cadabra tentaram manter o clima já quente na platéia, mostrando cada um a seu modo as diferentes colorações das instâncias mais pesadas do rock, indo do nu metal ao mezzo hardcore.
O tom politicamente forte da noite veio, então e enfim, com o F.UR.T.O. O novo grupo de Yuka, durante boa parte do show causou um certo desânimo e esfriamento no público, muito porque o - ótimo, diga-se repertório do álbum de estréia da banda ainda é praticamente desconhecido, exceção da faixa de trabalho "Não se preocupe comigo", que está sendo martelada ad infinitum nas fms e na MTV. Há de se ressaltar que o novo projeto de Yuka lança mão dos mesmos elementos que celebrizaram o trabalho do baterista e compositor no Rappa: letras de forte teor político e social, adornadas por um mix sonoro que agrega rap, hip hop, rock, batidas eletrônicas, guitarras algo psicodélicas e até levadas de trip hop. Uma mistura complexa, que remete ao Rappa mais radical do início e que por isso mesmo causou estranhamento n a platéia. Um estranhamento e apatia que só foram quebrados no final da apresentação quando Yuka, já visivelmente irritado por problemas na qualidade insatisfatória do som (que apresentou problemas durante quase toda a apresentação da banda), comentou a situação política do País. "Nós temos que nos reunir como estamos aqui hoje não apenas para ouvir música, se divertir ou fumar maconha, que é o que eles acham que nós fazemos. Nós temos que nos reunir também e exigir o fim de toda essa merda de corrupão que está infiltrada na política brasileira. Fodam-se todos eles! Genoino é um filho da puta. E Roberto Jefferson não é nenhum santo ou herói. Ele também é um filho da puta!". Aplausos e delírio no Porão do Rock. Yuka pede um minuto de silêncio em sinal de protesto contra tudo o que está acontecendo. O público, a essa altura já batendo em cerca de 25 mil pessoas, atende com respeito, raiva e reverência. O F.UR.T.O. toca mais uma música. E sai consagrado do palco, apesar dos problemas enfrentados em relação ao som durante sua apresentação.
Já a aparição da pequena grande notável rocker baiana Pitty no festival, logo depois do F.UR.T.O, merece um capítulo especial na cobertura do festival Porão do Rock, aqui no site da Dynamite. Quando Yuka e seu F.UR.T.O. deixaram o palco já no início da madrugada de domingo (10), o público presente ao estacionamento do estádio Mané Garrincha, em Brasília, atingia seu pico. E absolutamente todo mundo que estava ali se espremeu na frente do palco 2 para ver a apresentação daquela que é, sem nenhum favor, o principal nome feminino do novo rock brasileiro. E antes dela subir ao palco, duas historinhas rápidas. A primeira: diante da sala montada para atender a imprensa e para que fossem realizadas as entrevistas coletivas com os artistas antes ou depois de suas apresentações, começa um tumulto (e isso, vale observar, em uma área restrita atrás do palco, área de bastidores, onde apenas equipe de produção, imprensa e convidados podiam circular). Este repórter, distraído como ele só, começou a se perguntar o que estava acontecendo ali - uma briga? Alguém passando mal? Não, nada disso. Era Pitty que havia acabado de chegar, junto com os rapazes da banda de apoio, para a entrevista. Foi o caos. Todo mundo queria entrar na sala para participar da coletiva, o que obrigou o segurança particular da garota a fechar a porta e a dizer o clássico "agora, ninguém entra mais". No meio da enorme confusão que se estabeleceu, o enviado especial da Dynamite (amigo pessoal da cantora, da banda e do empresário Betinho), acabou não conseguindo entrar na sala. Irritado, disse que não queria mais saber de entrevistar a linda pikaxu da rock nacional. Foi quando informaram Betinho que "o Finatti, da Dynamite, está do lado de fora". Não deu outra: o empresário veio imediatamente em socorro deste escriba e disse: "espera um pouco terminar isso aqui e depois você vai pro camarim com a gente. Lá, faz uma exclusiva com ela e assiste o show no palco. Que tal?". Melhor impossível, claro.
O que nos leva à segunda historinha: enquanto uma multidão aguardava desesperadamente a entrada de Pitty em cena este repórter conversava, enfim e com calma, com a garota, fazendo algumas rápidas perguntas sobre o novo disco ("Anacrônico", que chega às lojas no início de agosto) para a Dynamite e também para uma grande revista de música paulistana, para onde este humilde escriba também está colaborando. No camarim também estavam um repórter do jornal Correio Brasiliense e mais o célebre jornalista baiano Hagamenon Britto, um dos nomes mais conhecidos do jornalismo rocker brasileiro. Mas era hora de subir ao palco, enfim. E nenhum deles subiu até lá. A Dynamite foi o ÚNICO veículo de imprensa entre todos os que estavam cobrindo o festival, a assistir ao show de Pitty em cima do palco. E a visão da reação do público à performance da garota que se pôde ter dali só pode ser resumida em uma única palavra: apoteose.
A noite estava gelada em Brasília, com os termômetros marcando em torno de 11 graus. Pitty sabia que, mesmo com a platéia na mão, precisava botar fogo nela logo no início do show. E foi o que fez, atacando de saída e sem medo os hits "Admirável Chip Novo" e "Semana que vem". Foi o suficiente para colocar 25 mil pessoas em polvorosa e que continuaram pulando quando vieram "Só de passagem", "O lobo" e "Teto de vidro". Entre estas, a cantora pôde encaixar faixas menos conhecidas (como "Seu mestre mandou", "Deus lhe pague" ou a inédita "Brinquedo torto", que está no set list do novo álbum), sem prejuízo quanto reação entusiástica do público. Claro que este se empolgava ao nível máximo quando a banda executava as faixas que estouraram no primeiro disco da cantora e guitarrista. Foi o que aconteceu, por exemplo, na sempre linda balada "Equalize", quando um mar de isqueiros acesos tomou conta do estacionamento, com todo mundo cantando a letra da canção junto com Pitty. De arrepiar até o mais fleumático e frio espectador.
No final, ainda sobrou espaço para a banda (que já está totalmente entrosada com o novo guitarrista Martin, ex-Cascadura e, por isso mesmo, está com uma performance mais do que satisfatória) tocar "I Wanna Be" e fechar a apresentação com uma longa versão para "Máscara" (que teve direito a trechos incidentais de músicas do Mars Volta), o que novamente provocou histeria na garotada presente. Foi, enfim, um showzaço que deixou o povo presente ao estacionamento do Mané Garrincha pedindo bis. Mas como nenhum grupo que tocou no festival deu bis e havia ainda Astronautas (com seu showzaço habitual de sempre, eles são um dos grandes nomes da atual cena indie brasileira), o local Cadabra e Dead Fish (com seu hardcore se tornando cada vez mais emo, a caminho do que se tornou o CPM22, e nenhum demérido nisso, pois a banda continua ótima ao vivo e em disco) para tocar, Pitty se foi, deixando atrás de si a certeza de que sua apresentação no Porão do Rock foi consagradora. E que a garota que saiu da cena alternativa de Salvador é sim, hoje, o grande nome feminino do rock brasileiro.
PORÃO DO ROCK - ÚLTIMA NOITE
A terceira e última noite do Porão do Rock concentrou shows de pelo menos três grandes nomes do pop/rock nacional, três bandas pertencentes já há muito tempo ao mainstream musical brasileiro: Pato Fu, Los Hermanos e Barão Vermelho. Talvez por isso mesmo a afluência de público já era grande no estacionamento do Mané Garrincha quando os grupos Radical Sem Dó (de Brasília mesmo e com guitarras ora pesadas, ora pop e sem um estilo musical definido), Violins (e sua sempre competente psicodelia onírica, egressa diretamente de Goiânia) e Reação em Cadeia (rap hardcore vindo do Rio Grande Do Sul e que agradou ao público e aos jornalistas presentes) começaram as apresentações em um domingo ainda claro, com o Sol se pondo no horizonte de uma cidade com poucas nuvens e onde a umidade do ar praticamente inexiste. Quando o Pato Fu subiu ao palco, a lotação da última noite já estava próxima do máximo e do ponto de ebulição. Mesmo tendo ficado afastado dos estúdios e dos grandes festivais por um bom tempo (por conta da gravidez da vocalista Fernanda Takai), o Pato Fu provou que não perdeu o carisma diante de grandes platéias. Com um set list redondo, rápido e certeiro, a banda preferiu tocar poucas músicas do recém-lançado novo álbum e centrou fogo em canções pop já clássicas do repertório do quarteto. "Eu", "Amendoim", "Gol de quem?", "Made In Japan" e "Canção do Tempo" levantaram o povo. "Perdendo dentes" foi, mais uma vez, o "momento isqueiros acesos" do festival. E sobrou espaço até para uma ótima cover de "Ando meio desligado", dos Mutantes.
Na seqüência, uma grata surpresa entre as bandas menos conhecidas. O carioca Som da Rua surpreendeu todo mundo com um pop/rock sessentista, cheio de guitarras tratadas com pedaleira e melodias power-pop de encher os olhos e os ouvidos. O nome da banda é ruim (algum desavisado poderá achar que se trata de um grupo de pagode), o do álbum de estréia ("Músicas para violão e guitarra") idem mas o quinteto abusa das ótimas referências de Beatles, Legião Urbana e até um quê de Los Hermanos. E falando em Los Hermanos... mais uma apoteose aconteceu quando o quarteto liderado pelo vocalista Marcelo Camelo subiu ao palco. É impressionante constatar como um grupo cult de universitários barbudos cariocas, se tornou uma autêntica religião entre a molecada pelo Brasil afora. Uma molecada que, em Brasília, cantou em coro todas as músicas do set list da apresentação da banda (mesmo as menos conhecidas, como "Conversa de botas batidas", "Um par", "Último romance" ou "O velho e o moço"). Não é preciso nem dizer que, quando a banda tocou "Todo carnaval tem seu fim", "O vencedor" e "Cara estranho", esta já quase no final da apresentação, o estacionamento do estádio veio abaixo.
Depois, os bons baianos do Cascadura (atualmente radicados em São Paulo) e o local Dillo DAraújo bem que tentaram animar o público com ótimo hard rock básico (caso dos Cascas) ou com bom cuidado na parte visual dos músicos (Dillo caprichou neste quesito). Mas o público queria mesmo era ver o Barão Vermelho, que já chegou chegando com "Maior abandonado" e "Bete Balanço". Com mais de vinte anos de existência e um caminhão de hits nas costas, o veterano quinteto carioca não teve nenhuma dificuldade em levar as vinte e cinco mil pessoas presentes ao delírio, em uma apresentação musical e tecnicamente perfeita, sem problemas de espécie alguma.
Foi assim que sobraram para o esforçado e bom rock experimental à la Karnac do local Móveis Coloniais de Acaju e para o sempre boa praça Supla a ingrata tarefa de encerrar o Porão do Rock. O MCA bem que tentou, mas seu som encontrou pouca receptividade em um público que começou a debandar do Mané Garrincha logo após o show do Barão Vermelho. E Papito, mesmo roubando a cena com um som pesado e escoltado por um ótimo grupo de apoio (com destaque para o guitarrista Danilo e o baixista Edgard), não conseguiu segurar o público que restou no estacionamento. A noite avançava, o frio também e semi hits como "Menina e mulher", "Charada", "Green Hair", "Humanos" ou "Garota de Berlim" não foram suficientes para esquentar as pessoas. Era hora de ir pra casa e aguardar, no ano que vem, mais uma nova edição do Porão do Rock. Que, espera-se, seja tão bacana quanto foi a deste ano.
BRASILIENSES ON THE ROCKS
* A farra e o clima de festa propiciados pelo Porão do Rock já começaram na ida a Brasília. No mesmo vôo que saiu ao meio-dia de sexta-feira de Sampalândia estavam Zapnroll, o graaaande (no tamanho e como pessoa) jornalista Marcos "Diet" Filipi (editor da bacana revista Comando Rock) e o povo do Ratos De Porão, acompanhado do produtor Nilsão, conhecida figura da noite alternativa paulistana. Nilsão quis puxar o côro da música "Rebelde sem alça", composta pelo músico e jornalista Ayrton Mugnaini Jr. em "homenagem" a este escriba, mas não se lembrava da letra. "Não se preocupe, eu canto a letra pra você", foi a resposta deste colunista, que logo em seguida passou a discutir "amenidades" com Diet como, por exemplo, quem irá pagar "mensalão" para nós, esforçados operários do jornalismo rock brasileiro.
* Ainda durante o vôo a Brasília, deu pra perceber claramente que a eterna crise econômica do País atingiu mesmo em cheio a qualidade do serviço de bordo das companhias aéreas. Se há alguns anos atrás este colunista, que pegava a ponte aérea Rio-SP quinzenalmente por conta de seu trabalho como repórter especial da extinta revista Interview (empregão aquele... bom salário, apenas uma matéria grande por mês, mulheres deliciosas, farto whisky importado oito anos e viagens aos montes), sempre descia na volta em Congonhas já cambaleando por conta do cowboy duplo que ele inevitavelmente pedia à aeromoça, agora teve que se contentar com o frugal "repasto" servido durante o curto vôo de uma hora e meia: suco de uva diet, um pacotinho de torradas e outro com um micro-bolo com gotas de chocolate. Álcool? Nem pensar. Fala sério...
* Pelo menos a produção do evento caprichou na hospedagem dos jornalistas e músicos participantes do festival. O quartel general da tropa que tomou de assalto Brasília foi o hotel Kubistcheck Plaza, um cinco estrelas espetacular onde os quartos possuíam cama de casal, banheira com hidro massagem e terraço com vista panorâmica. Fora a piscina (que ninguém se atreveu a utilizar porque o frio não deixava) e o lauto café matinal. Preço da diária de cada quarto: módicos R$ 190,00 reais.
* Mas nem todo mundo da mídia rock brazuca foi a Brasília cobrir o Porão, por conta da produção do mesmo. Segundo Zapnroll apurou lá estavam, a convite do festival, as seguintes revistas que importam atualmente no jornalismo rock brasileiro: Dynamite, Comando Rock (ambas paulistanas) e Laboratório Pop (do Rio De Janeiro). Não foram convidadas ou não foram vistas por lá: a rediviva Bizz, Rock Press e Mosh, entre outras.
* O grupo campeão no quesito "arrastar groupies para o hotel após os shows", na primeira noite foi, por incrível que pareça, o trio paulistano Dr. Sin, que surgiu no saguão do hotel já na manhã de sábado "escoltado" por algumas belíssimas e animadas garotas. Já na virada de sábado para domingo o guitarrista Martin, da banda da agora rocker super-star Pitty, não se fez de rogado: subiu para seu quarto acompanhado de duas gostosudas. Detalhe: ambas eram jornalistas que estavam cobrindo o festival.
* Mas farra meeeeesmo aconteceu no quarto do bom papito Supla, após o encerramento do Porão do Rock, já na madrugada de segunda-feira. Zapnroll conseguiu uma providencial carona até o hotel (pois havia perdido a última van que transportava os jornalistas por, tagarela como ele só, ficar batendo papo com Deus e o mundo no backstage, mesmo com tudo já encerrado na "mini cidade do rock", montada no estacionamento do estádio Mané Garrincha), pois estava carregando duas caixas com as guitarras que seriam sorteadas pelo site da Dynamite (uma promoção em parceria com a produção do festival) entre aqueles que compraram ingressos para assistir ao Porão. Dando uma força ao pobre colunista estava a lindona jornalista e fotógrafa Adreana Cobain, de Uberlândia, e que fez amizade com o autor destas linhas digitais em Goiânia, no ano passado, durante a cobertura do festival Goiânia Noise. Pois bem. Ao chegar ao hotel, a dupla dinâmica ouviu o maior burburinho no quarto de Supla, que ficava ao lado do quarto em que este diligente colunista estava hospedado. Como a curiosidade é preceito básico do bom repórter, lá se foram Zapnroll e Dri ver o que estava acontecendo na porta ao lado. E aí... ahá!!! Supla, o baixista Edgard e mais um integrante da equipe técnica tocando violão, bebendo Ballantines no gargalo da garrafa e conversando animadamente com quatro de-li-cio-sas fãs brasilieneses do "Xarada Brasileiro". Como miss Adreana é uma moça, hã, comportada, levou as guitarras até o quarto deste colunista e se mandou para o seu. Zapnroll, mais abusada, ficou nos aposentos de Papito, enquanto o baixista Edgard tirava clássicos do punk rock ao violão. Quando todo mundo já estava devidamente chumbado de whisky, o autor destas mal traçadas criou coragem e convidou uma das garotas a ir até seu quarto, para "papear". Como ela aceitou, a dupla se mandou rapidinho. O que aconteceu depois no quarto de Supla, a coluna vai ficar devendo. O que aconteceu no quarto do colunista, também (por ser meio impublicável).
* E não é que a coluna também teve seu momento de "pop star"? Ele aconteceu no domingo, no final do show do grupo Los Hermanos, quando Zapnroll aguardava no backstage, em frente à porta do camarim do quarteto carioca, o momento de tentar reunir o vocalista Marcelo Camelo e a meiga e fofa Fernandinha Takai (front woman do sempre bacana Pato Fu), para fazer um bate-bola rápido entre ambos, como parte da pauta de cobertura que este colunista também estava fazendo do festival para uma grande e conhecida revista de música, publicada por uma das maiores redes fm do Brasil. Foi quando um simpático rapaz da equipe de produção se aproximou e perguntou: "você é o Finatti?". "Acho que sim", foi a resposta deste modesto colunista, em tom de brincadeira e demonstrando simpatia. "Muito prazer! Eu queria dizer que sou seu fã e que leio sua coluna toda semana aqui em Brasília, eu e a minha namorada". Enfim, o simpatissíssimo leitor de Zapnroll se chama José Patrício, um gaúcho boa praça que mora em Brasília com sua bela girlfriend chamada Taís (e que estava ao lado dele), sendo que ambos estavam trampando na produção do festival. E quando os dois se declararam fãs das colunas semanais escritas por este repórter e pediram para tirar algumas fotos ao lado deste colunista, Zapnroll corou de vergonha. Mas não teve outra alternativa senão aceitar tão caloroso e simpático o pedido. Afinal, humildade é tudo no ser humano, principalmente quando se trata de um terreno pantanoso e propício ao incêndio da fogueira das vaidades que é o jornalismo musical.
* Tanto é que esta "fogueira das vaidades" é algo absolutamente real, que a popularidade deste colunista entre boa parte das bandas que estavam se apresentando no Porão, acabou por incomodar uma das produtoras do festival. Zapnroll circulou com absoluta desenvoltura pelo backstage do festival (uma área onde, afinal, não era permitida a presença de jornalistas) nas duas primeiras noites, visto que o colunista é amigo pessoal de pelo menos uma dúzia de grupos que estavam se apresentando no evento (entre elas, Pitty, Astronautas, Cascadura, Supla, Barão Vermelho e o pessoal do Pato Fu). Pois bem: no domingo à noite, quando a coluna tentava juntar Marcelo Camelo e Fernandinha Takai para algumas fotos e uma entrevista rápida com ambos o clima, que já estava tenso nos bastidores, ferveu de vez. Havia um bando de gente impedindo que a entrevista fosse feita, a produtora do Los Hermanos (uma mala sem igual, diga-se) puxava Camelo pelo braço, argumentando que ele precisava ir com o restante do grupo para a sala de imprensa para dar entrevista coletiva e aí... o assessor de imprensa do festival, Marcos Pinheiro, perdeu a paciência e começou a discutir com o autor deste espaço rocker virtual. Uma discussão rápida, enfim, provocada mais pelo momento de tensão pelo qual todos estavam passando ali. Instantes depois, tudo voltou ao normal e tanto o assessor (de resto, um autêntico gentleman, que tratou toda a imprensa com absoluta dedicação e carinho durante todo o transcorrer do Porão) quanto colunista se entenderam novamente. Mas o pequeno imbróglio foi a desculpa perfeita para a dita produtora do festival, citada no início deste tópico, proibir sumariamente Zapnroll de circular pelo backstage até o final dos shows de domingo. A coluna ficou sabendo da proibição quando já estava dentro do camarim de Supla e sua banda, papeando animadamente com a turma e tomando algumas talagadas de Ballantines. Foi quando uma equipe de seguranças chegou, acompanhada da rancorosa produtora, e convidou "gentilmente" este colunista a se retirar e a permanecer apenas na área destinada de fato à imprensa. De nada adiantou Papito interceder, dizendo "pô, deixa ele aqui com a gente, o cara é nosso amigo, gente boa". A inveja, quando não mata...
* Não há drogas em Brasília. Pelo menos não "aquela" que vários músicos e alguns jornalistas queriam. Corre a lenda de que, nos corredores do Congresso, se encontra fácil uma das cocaínas mais "puras" que se pode achar no Brasil. Mas fora dele... era frenética a busca por "farinha" no backstage do Porão do Rock e também quando o povo chegava no hotel, após os shows. Nada feito. Um conhecido músico de uma conhecida banda indie paulistana, após conseguir suadamente uma "peteca", comentou com Zapnroll, em tom de desapontamento e reclamação: "foi a farinha mais palha, mais horrenda que eu já cheirei na minha vida. Estava tão boa que, depois de cheirar, eu comi um sanduiche, caí na cama e dormi". Vigeee...
* Mensalão? Não se fala em outra coisa em Brasília. Na chegada à cidade, no aeroporto, na conversa com os motoristas das vans, com os taxistas etc. Só que a impressão que se tem, quando se está na capital do País, é de que assuntos relacionados à corrupção política já se tornaram algo tão banal, tão corriqueiro que ninguém mais se espanta com eles. Sério. O que não deixa de ser muito ruim, não é mesmo?
* Fato pitoresco no início da noite de sábado. Este colunista, como sempre esbaforido, ansioso e atrasado como ele só, sai correndo da sala de imprensa após enviar texto por e-mail para a redação da Dynamite em São Paulo. De bermudão, camiseta de manga curta e calçando sandália (!), Zapnroll precisava voltar correndo para o hotel para tomar banho, trocar de roupa e voltar preparado para enfrentar o frio que chegava veloz e a maratona de shows da noite. Foi quando se deu conta de que não havia nenhuma van para levá-lo - já estavam todas no Kubstchek, esperando para trazer os músicos para o Porão. O que fazer? Ir a pé? Tomar um táxi? Quando já estava resolvendo enfrentar o percurso utilizando o bom e velho sp2, veio a salvação: uma perua da 89fm de Goiânia (emissora que estava lá cobrindo o festival, ao lado de várias outras fms locais) estava saindo. O colunista não perdeu tempo e pediu carona para as duas simpáticas e gatíssimas repórteres que estavam a bordo do veículo. Foi resgatado no ato e conseguiu retornar ao aconchego de seu 5 estrelas.
* Jornalistas ilustres da rock press nativa circularam pelos bastidores do Porão do Rock durante suas três noites. Como o célebre baiano Hagamenon Britto, o lendário Fernando Rosa (do ótimo site Senhor F., e que estava dando aos colegas exemplares dos últimos lançamentos promovidos pelo seu selo, também chamado Senhor F.) e Marcos "Diet" Fillipi, editor da paulistana Comando Rock. Havia também algumas figuras lamentáveis, mas estes a coluna prefere nem falar a respeito.
* E como em todo grande festival alternativo que se preza, bandas dos mais diferentes estilos e de todos os lugares do País, tocando ou não no evento, aproveitaram para mostrar seu peixe, distribuindo cópias de seus trabalhos em cds aos jornalistas presentes. Zapnroll voltou, como de hábito, com a mala cheia (não de dinheiro, plis). E promete comentar aqui, nas próximas semanas, os discos de Volver, Beto Só, Slug, Móveis Coloniais de Acaju, Dillo DAraújo, Plástica (grupo formado, entre outros, pelos irmãos Jair e Raul Santiago, dois dos super simpáticos produtores-chefe do Porão do Rock), entre outros. Aguardem!
* Pra encerrar as notas de bastidores, a coluna quer destacar a simpatia, a atenção e o carinho com que foi acolhida por toda a equipe do Porão do Rock. Do sempre atencioso chefe de imprensa Marcos Pinheiro e suas assistentes (as gatíssimas Alessandra, Mel, Maria e Manuela) até os produtores-chefe do evento Jair, Raul e Ulysses, este colunista foi paparicado por todos e se sentiu realmente em casa. Ficam nossos votos para que a próxima edição do Porão seja ainda mais bacana. E a Dynamite e Zapnroll estarão lá novamente. Com certeza.
http://www.dynamite.com.br/2003a/zap.cfm